26 de janeiro de 2021

Victória Sales – Da Revista Cenarium

MANAUS – Biatuwi – casa de quinhapira, a primeira Casa de Comida e Cultura Indígena de Manaus, chega à capital trazendo novidades a culinária amazonense. Localizado no Centro de Medicina Indígena Bahserikowi’i, no Centro Histórico de Manaus, o restaurante será inaugurado no próximo dia 24 de novembro.

O nome do espaço é inspirado na Quinhapira, conhecida como ‘Comida dos Deuses’, em oãmaharã. Ela é um caldo com base de água, farinha e pimenta defumada.

Saúva, a comida típica indígena (Ana Paula Lustosa/Divulgação)

O espaço é comandado pelos indígenas Clarinda Ramos da etnia Sateré Mawé, Sandra Menezes e Cledson, do povo Tukano, do município de São Gabriel da Cachoeira, no Alto Rio Negro. A ideia para criação do restaurante surgiu da parceria com a chef Débora Shornik, que está à frente do restaurante Caxiri, também localizado no Centro da cidade, com o Centro de Medicina Indígena.  

Cultura indígena

Débora conta que durante a feira Terra – floresta viva, que aconteceu no Museu da Amazônia (MUSA), voltada para a cultura indígena, ela teve a oportunidade de conhecer João Paulo Barreto, idealizador do Centro de cultura, medicina e comida indígena, e ficou encantada com os seus dizeres sobre a natureza e benzimentos.

“Fiquei me questionando o porquê de não ter uma comida indígena na cidade, e ele me contou que eles tinham o sonho de ter um restaurante, e que já tinham tentado, mas sem sucesso”, disse a chef.

João Paulo Barreto, indígena do povo Tukano destaca que após a criação do Centro de Medicina Indígena, em 2017, eles perceberam que a maior parte das pessoas que frequentavam o lugar eram não indígenas, e que essas mesmas pessoas estavam ficando doentes por não comerem direito.

Quinhapira com Beijú (Ana Paula Lustosa/Divulgação)

“Percebemos que as pessoas que estavam indo lá com a gente, eram pessoas que ficavam doentes muito rápido e não se alimentavam bem, foi quando criamos a ideia de talvez conseguir criar dentro do próprio Centro, um lugar em que as pessoas pudessem comer bem, e além disso, ter uma conexão com a cultura indígena”, ressalta o idealizador.

Segundo João, o projeto é uma oportunidade de expressar a cultura indígena através da comida. “Quando vimos a oportunidade de montar uma parceria de um projeto antigo nosso com alguém que entende melhor do assunto, não pensamos duas vezes”, disse. A Casa de Cultura terá capacidade para acolher 30 pessoas, em cumprimento com as orientações de segurança sanitária recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

COMENTÁRIOS

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.