‘A democracia tem que se proteger da intolerância agressiva’, diz Barroso durante o 17° Congresso da Abraji

Gabriel Abreu – Da Revista Cenarium

SÃO PAULO – O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), esteve nesta sexta-feira, 5, no 17° Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). O ministro abordou sobre “Eleições 2022: desinformação e ameaças à democracia”, durante uma hora e meia de conversa com profissionais da comunicação. Barroso conclamou que a imprensa trabalhe no combate à desinformação, no País, e que o Brasil vive, atualmente, um período chamado “populismo autoritário extremista”.

Luis Roberto Barroso fez duras críticas ao que chamou de retrocesso democrático e populismo autoritário. Voltou a dizer que o presidente Jair Bolsonaro (PL) não apresentou provas sobre as “possíveis fraudes nas urnas eletrônicas” e que a democracia precisa ser protegida da intolerância agressiva.

“A democracia tem que se proteger da intolerância, sobretudo, da intolerância agressiva. De modo que, como falei, você pode achar que essa é a pior composição do Supremo, da história. É um direito. É injusto, mas é um direito. Mas não pode mandar matar a gente e nem ameaçar, como o que aconteceu de estupro de filha de ministro. Portanto, acho que foi uma reação proporcional e democrática há ataques democráticos”, afirmou o ministro.

Conduzida por quatro jornalistas especializadas em política, desinformação, eleição e ameaças à democracia. São elas: Cristina Tardáguila, diretora de Programas do ICFJ  e fundadora da Lupa; Daniela Lima, apresentadora da CNN Brasil; Luciana Garbin, coordenadora do LabJor FAAP e editora-executiva do Estadão; e Patricia Campos Mello, jornalista da Folha de S.Paulo e diretora da Abraji, a palestra teve a duração de uma hora e meia.

Durante a explanação, o ministro afirmou que “as pessoas inventam as suas próprias narrativas”. E sem citar, diretamente, o presidente Jair Bolsonaro, disse que as pessoas podem mentir a favor da própria causa. O que leva muitas pessoas a acreditar na narrativa sobre a insegurança do sistema eleitoral brasileiro.

Luís Roberto Barroso é ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) desde junho de 2013 e foi presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de 2020 a fevereiro de 2022. Ele comentou, durante o evento, depois de ser questionado se está arrependido de ter chamado as Forças Armadas para compor uma comissão para acompanhar o processo eleitoral.

“A culpa é do TSE que, em boa-fé, convidou uma entidade de Estado, que já ajuda nas eleições, que desfruta de prestígio e credibilidade junto à sociedade brasileira, para verificar a transparência das eleições e ajudar no que fosse possível? “Se alguém, em tese eu, não estou dizendo que aconteceu, tiver atuando mal nesse papel, a culpa é de quem tratou uma instituição de Estado com consideração que ela merecia e em boa-fé, ou a culpa é de quem, em tese, pudesse estar atuando a serviço de um interesse que não fosse o de dar transparência e ajudar e, sim, de levantar desconfiança”, afirmou o ministro.

Congresso Abraji

REVISTA CENARIUM participará, neste sábado, 6, da mesa-redonda temática “Dom Phillips e Bruno Pereira: como chegamos até aqui”, para debater as causas e desdobramentos dos assassinatos do jornalista britânico e do indigenista, no Vale do Javari, no Amazonas, em junho deste ano.

No ano em que a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) completa 20 anos, profissionais e estudantes de jornalismo de todo o País voltarão a se reunir em São Paulo para trocar experiências, em um dos eventos mais importantes da área na América Latina. Promovido pela Abraji, o Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo chega à 17ª edição com o compromisso de trazer especialistas do Brasil e do mundo para discutir 15 grandes temas, incluindo técnicas de apuração, trabalhos notáveis, projetos inovadores, transparência pública, proteção e segurança, ataques à democracia, desinformação, racismo, inclusão e sustentabilidade, entre outros.

Depois de dois anos de eventos exclusivamente on-line, devido à pandemia, o Congresso da Abraji voltou ao modelo presencial. O evento proporciona reencontros e momentos de networking, e ainda leva debates, cursos e oficinas de maneira acessível e gratuita a jornalistas e estudantes de todo o País. 

Integrado à programação on-line do 17° Congresso da Abraji, acontecerá o 9° Seminário de Pesquisa em Jornalismo Investigativo, em que pesquisadores apresentam seus trabalhos científicos submetidos, previamente, à avaliação, e jornalistas recém-formados discutem seus trabalhos de conclusão de curso selecionados pela Abraji.

Com o modelo misto, a programação do Congresso de 2022 está distribuída em cinco dias, de quarta a domingo. Nos dias 3 e 4 de agosto, serão realizadas a parte on-line e gratuita do evento. Já a versão presencial e paga do Congresso acontecerá de 5 a 7 de agosto, na FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado), em Higienópolis, São Paulo. O último dia do evento será totalmente dedicado a 4ª edição do Domingo de Dados, com oficinas e palestras sobre jornalismo de dados, além de bastidores de investigações ligadas ao tema.

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