A exemplo de Do Val, Jair Bolsonaro se evidenciou com comentários machistas em 2014

Da Revista Cenarium

MANAUS – O deputado estadual de São Paulo Arthur do Val (Podemos) tomou conta dos noticiários após comentários de teor sexista enviados por meio de áudio a um grupo de WhatsApp. Em ano eleitoral, a atitude deveria arranhar a imagem do pré-candidato ao Governo de São Paulo. Mas esta não é a primeira vez que um político causa por conta de declarações machistas, a exemplo do presidente Jair Bolsonaro (PL), que já se envolveu em inúmeras polêmicas do tipo e conseguiu se eleger em 2018.

O machismo está presente em toda a vida política do presidente. Bolsonaro ‘se evidenciou nacionalmente’ como misógino em 2014, enquanto era deputado federal e fez taques à deputada Maria do Rosário (PT-RS), quando disse que ela “não merecia ser estuprada porque é muito feia e não faz seu tipo”. Na ocasião, as declarações causaram polêmica.

Maria do Rosário acabara de fazer um discurso defendendo que os torturadores da ditadura militar fossem responsabilizados. “Não saia, não, Maria do Rosário, fique aí. Há poucos dias, você me chamou de estuprador no Salão Verde e eu falei que eu não estuprava você porque você não merece. Fique aqui para ouvir”.

Bolsonaro se referia a outro ataque seu contra Maria do Rosário em 2003, quando a deputada disse que, com seus discursos e posições políticas, Bolsonaro promovia a violência contra a mulher.

Ele foi processado pela petista por incitação ao estupro. A agressão lhe rendeu uma retratação pública e uma condenação por danos morais, além de uma multa de R$ 10 mil. Ainda assim, houve quem o defendesse o capitão da reserva do Exército Brasileiro.

Em abril de 2017, ainda em campanha, disse que teve uma filha após ter tido quatro filhos porque deu “uma fraquejada”. A declaração ocorreu durante palestra no Clube Hebraica. “Fui com os meus três filhos, o outro foi também, foram quatro. Eu tenho o quinto também, o quinto eu dei uma fraquejada. Foram quatro homens, a quinta eu dei uma fraquejada e veio mulher”, disse.

Turismo sexual

Em 2019, o presidente chegou a convidar homens estrangeiros para fazerem turismo sexual no Brasil. “Quem quiser vir aqui fazer sexo com uma mulher, fique à vontade”, disse.

Sobre o mercado de trabalho, ele já tentou justificar que mulheres ganham menos porque engravidam.

Em 2020, se envolveu em uma polêmica com a jornalista da Folha de S. Paulo Patrícia Campos Mello. “Ela queria um furo. Ela queria dar um furo a qualquer preço contra mim”, disse o presidente Jair Bolsonaro aos risos com conotação sexual. Seus eleitores foram para as redes sociais e atacaram agressivamente a repórter, com mensagens misóginas e até ameaças.

Seus filhos, políticos, seguem o mesmo viés. Após a declaração do presidente contra a jornalista, o deputado federal Eduardo Bolsonaro foi Twitter insinuar que Campos Mello teria sugerido um encontro sexual em troca do acesso a informações.

Num momento em que o país superava 500 mil mortes pela Covid-19, em 2021, Bolsonaro reagiu com agressividade a perguntas feitas por uma jornalista mulher, em Guaratinguetá, no interior de São Paulo. Antes de interromper abruptamente uma rápida entrevista, o presidente mandou uma repórter e integrantes da sua própria equipe calarem a boca.

Presidente ao insultar com insinuação sexual a repórter Patrícia Campos Mello (Reprodução)

Reeleição

O presidente está em ampla campanha para se reeleger este ano. Pesquisas recentes mostram que o prestígio de Bolsonaro entre o público feminino está despencando. A última divulgada pelo PoderData mostra que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 44% das intenções de votos entre as mulheres na simulação do 1º turno enquanto Jair Bolsonaro tem apenas 22%.

Bolsonaro se pronunciou. “Segundo pesquisa, as mulheres não votam em mim, a maioria vota na esquerda. Agora, não sei, pesquisa a gente não acredita, se há reação por parte das mulheres, faz uma visitinha em Pacaraima, Boa Vista, nos abrigos, e vê como é que estão as mulheres fugindo do paraíso socialista defendido pelo PT”, disse.

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