Academias clandestinas desafiam isolamento social e contribuem para pico da Covid-19

Carolina Givone – Da Revista Cenarium

MANAUS – Um vídeo divulgado nas redes sociais na última sexta-feira, 8, mostra uma sequência de pessoas entrando em uma academia irregular, na Rua Penetração 2, bairro Mutirão, zona leste de Manaus. O estabelecimento está funcionando irregularmente, indo contra o decreto do governador do Amazonas, Wilson Lima, que determinou, desde 19 de março a suspensão das atividades de academias na cidade e nos municípios do interior.

Nas imagens é possível ver alunos trajando roupas próprias para exercícios físicos, alguns estão acompanhados de amigos, sem qualquer proteção e outros utilizando máscaras. O registro foi feito por um cinegrafista amador.

O “furo” do isolamento social já foi apontado pela Fundação de Vigilância Sanitária (FVS) como o principal responsável pelo alto índice de contaminação pelo novo Coronavírus.

Na última quinta-feira, 7, de acordo com dados da própria FVS-AM, mais de dez mil pessoas no Amazonas estão infectadas com a doença.

Para denunciar aglomerações ou estabelecimentos não essenciais em funcionamento, as pessoas podem ligar para o “disk aglomeração”, por meio do número 129. O serviço é mantido pela Defensoria Pública do Estado (DPE), para auxiliar as atividades da polícia militar e da guarda municipal

Irresponsabilidade

Um personal trainer que preferiu não ter o nome divulgado na reportagem classificou a situação como falta de responsabilidade. “Entendo que essa atitude de frequentar academias abertas clandestinamente na pandemia, tantos dos treinadores, quanto dos clientes é uma grande falta de responsabilidade. Existem várias para se fazer atividade física em casa, portanto não concordo com essa atitude. Assim como muitos outros profissionais, precisei me reinventar, estou trabalhando com consultoria on-line, auxiliando e incentivando alunos. É o que se para respeitar todas as pessoas em quarentena”, comentou.

O personal, que mostrou registro profissional junto ao Cref, completou que, “a partir do momento que você vai treinar em uma academia clandestina para buscar qualidade de vida em meio à pandemia, você está fazendo exatamente o contrário. Ao quebrar a quarentena e ter contato com outras pessoas na academia, você põe em risco a família e as outras pessoas no local. Para mim, surgiram várias propostas de alunos querendo que eu fizesse atendimento presencial, não aceitei e preferi atender somente on-line. Assim preservo minha saúde, da minha família, e dos meus clientes”, finaliza.

Conselhos profissionais

O Conselho Federal de Educação Física (Cref), divulgou nota informando as ações adotadas a para auxiliar os profissionais em meios aos prejuízos causados pela Covid-19. “Os Crefs adotaram todas as medidas que estavam ao seu alcance, em benefício de seus profissionais. As anuidades, por exemplo, tiveram seus vencimentos prorrogados, inclusive para pagamento com desconto. Alguns Crefs ainda articularam com entidades públicas a redução de impostos para Pessoa Jurídica. Também foram promovidas capacitações online, para que seus registrados saiam ainda mais preparados desta crise”.

Já o Conselho Regional de Educação Física da 8ª Região (Cref), encaminhou ao Governo do Estado do Amazonas uma solicitação para flexibilização das atividades no campo da Educação Física.

No documento, o Conselho ressalta que as atividades físicas podem ser realizadas tanto em domicílio quanto nos estabelecimentos de vinculação dos profissionais, desde que o atendimento seja de forma individual, ficando vedada a realização das atividades em shopping centers, galerias e centros comerciais. A autorização das atividades pode ficar condicionada ao cumprimento de certas obrigações determinadas pelos órgãos competentes, tais como a higienização das mãos antes e depois das atividades e o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI), entre outras. A mesma solicitação foi encaminhada aos Governos dos Estados do Acre, Rondônia e Roraima.

A equipe da REVISTA CENARIUM entrou contato com assessoria de imprensa da academia, mas foi informada que o local não possui esse canal de atendimento aos jornalistas. Entretanto o proprietário da academia em questão, informou por meio de mensagem de voz, “não existir problema em liberar a academia para o uso de funcionários”.

Já uma segunda pessoa, que se identificou como secretária do local, os portões não estão liberados para alunos. Além disto, as mulheres e outras pessoas que aparecem nas filmagens, seriam esposas dos instrutores.

Por mais que nas imagens não seja possível perceber nenhum aviso de que a unidade esteja fechada, após a reportagem entrar em contato com a academia, recebeu uma foto do proprietário com um aviso informativo fixado a porta de entrada da academia.

Informativo foi fixado para que os alunos não tivessem acesso à unidade. (Divulgação)

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