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15 de maio de 2021

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Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS – O pedagogo e escritor Jorge Klein lançou a terceira obra da carreira. O romance indígena Acaraéçoot, que quer dizer ‘acará maluco’, narra a história instigante e envolvente entre dois povos indígenas inimigos, além de fazer um apelo ambiental para o cuidado e proteção do peixe acará, no município de Maués (a 259 quilômetros de Manaus).

“A obra tem um propósito ambiental da defesa, que é justamente da proteção do acará, conhecido em Maués como ‘Pataqueira’ e pelos Sateré-Mawé como ‘Acaraéçoot’, peixe que entra na história de uma maneira para sensibilizar as pessoas a proteger e cuidar dessa espécie”, contou o escritor à REVISTA CENARIUM.

Jorge Klein é catarinense e há 40 anos mora em manaus (Bruno Pacheco/Revista Cenarium)

Natural de São Carlos, do Estado de Santa Catarina, Jorge Klein mora em Manaus há cerca de 40 anos e já tem outros dois livros publicados: “…E a mata virou baladeira” e “Baladeira nunca mais”, além de ser idealizador do projeto “Navegando e lendo” e fundador da Biblioteca Contêiner Tenório Telles, inaugurada em 2017, no conjunto João Bosco, na avenida Torquato Tapajós, em Manaus.

A história

Na mais nova obra de Jorge Klein, a história é narrada em terceira pessoa e tem como personagem principal o jovem Ramaw-Wato, do povo Sateré-Mawé, que vivencia a guerra contra o povo Munduruku e o amor platônico pela indígena Munduruku, Wama Su Dip, “a mais bela cunhatã (garota) de toda a floresta.

A narração de Acaraéçoot começa com o autor do livro relembrando uma viagem que ele fez ao município de Maués, conhecido como a “Terra do Guaraná”. Na cidade, ele descreve o momento que conheceu o peixe acará, que o fez lembrar da infância. “Estava parado com a água abaixo do peito, contemplando a beleza do lugar, quando percebeu a uns cinco metros dele, que um peixinho parecia se debater sob a água”, detalha o autor, na obra.

Em entrevista à REVISTA CENARIUM, o escritor explicou que vê um potencial de ecoturismo com o peixe, ou seja, uma modalidade de turismo com recursos naturais e que busca garantir a preservação do meio ambiente. No entanto, para o autor, é preciso proteger a espécie, que, pela característica dócil, acaba sendo uma presa fácil pelos pescadores.

“O acará é um peixe fantástico. Quando tocamos na água, ele vem a nossa mão. E eu vejo um potencial de ecoturismo nesse peixe. Logicamente, é preciso pensar na preservação e no cuidado dele. A gente não sabe o que pode acontecer com a Amazônia e é preciso pensar nessa pauta”, salientou.

A guerra

Na obra, apesar da história ser fictícia, o leitor poderá desfrutar e conhecer tradições culturais dos povos indígenas, como o ritual da Tucandeira, prova onde os jovens indígenas que estão na puberdade precisam passar para mostrar força e coragem, para ser feito na vida adulta.

A primeira tensão de “Acaraéçoot” ocorre quando o autor narra o sumiço do filho do pajé, que não compareceu na reunião dos guerreiros da tribo, que definiria as ações para o confronto na luta por terras com o inimigo.

Um curumin-açu, isto é, um adolescente, Ramaw-Wato, apesar de ser um jovem forte e habilidoso o suficiente para ser admirado pelos demais indígenas, era considerado um brincalhão pelo próprio povo.

A visão do jovem sobre uma iminente emboscada o fez partir para uma pequena expedição e retornar para tribo e fazer as lideranças repensarem sobre o ataque contra os Munduruku, povo temido pelos indígenas por serem impiedosos contra os inimigos em batalha.

“Eles tinham realmente um grande prazer pela guerra, porque justamente eles cortavam a cabeça do inimigo para terem como troféu. Isso incentiva eles a buscarem a guerra. E é uma história que realmente existia, eles viviam em conflito”, pontuou Jorge Klein.

Dividido em 11 capítulos e 105 páginas, a Acaraéçoot está disponível em Manaus para venda na Livraria Lira; na Livraria Nacional; no Manauara Shopping; no Bazar do Livro, no Shopping Ponta Negra; no Bom Livro, no Shopping Sumaúma Park; no Shopping Studio 5; e nos DB Nova Cidade e DB Parque 10.