2 de março de 2021

Com informações do G1

MANAUS – A defesa de Donald Trump argumentou em audiência no Senado nesta sexta-feira, 12, que o ex-presidente dos Estados Unidos não incitou a violência e que apenas se utilizou da mesma retórica que seus adversários políticos.

Aos senadores, o advogado Michael van der Veen chamou o julgamento de impeachment contra o ex-presidente de “cultura do cancelamento constitucional”. Na mesma linha, Bruce Castor Jr. disse que o debate sobre as falas de Trump visa a “criminalizar os pontos de vista”.

“É uma tentativa de censurar e ‘cancelar’ não só Trump, mas todos os milhões de eleitores que votaram nele”, disse o advogado Michael van der Veen.

Cultura do cancelamento é o nome dado às reações negativas nas redes sociais contra posicionamentos polêmicos ou equivocados de celebridades ou outras personalidades conhecidas. Para algumas pessoas, essas reações representam uma forma de linchamento.

Trump é julgado no Senado por incitar a insurreição quando discursou a apoiadores em 6 de janeiro em frente à Casa Branca. Naquele momento, perto dali, os congressistas oficializavam a vitória de Joe Biden como novo presidente dos EUA, etapa apenas formal. Logo após o fim do discurso de Trump, uma multidão de apoiadores extremistas do republicano invadiu o Capitólio e interrompeu a sessão. Cinco pessoas morreram.

‘Retórica política’

Na terça e na quarta-feira, deputados do Partido Democrata que atuam como promotores no processo de impeachment enfatizaram que Trump pediu, no discurso de 6 de janeiro, que apoiadores “lutassem como o diabo”.

A defesa, então, tentou rechaçar a visão e disse que os democratas também adotaram esse tipo de retórica durante a campanha contra o ex-presidente e a favor de Biden.

“É mera retórica política usada há tempos. O slogan de candidatura de Biden era: ‘Batalha pela Alma da América'”, disse van der Veen.

Em seguida, os advogados de Trump mostraram vídeos com Biden e outras personalidades do Partido Democrata discursando com palavras como “luta” e “batalha”. “Estou mostrando isso para dizer que todos os discursos políticos devem ser protegidos. Não mostrei para equilibrar com o discurso de meu cliente”, justificou van der Veen.