Bruce Willis tem distúrbio diagnosticado, revela família; entenda o que é a doença

Com informações do Infoglobo

MUNDO – A família de Bruce Willis revelou, nesta quarta-feira, 30, que o ator foi diagnosticado com afasia, um transtorno de linguagem decorrente de uma lesão cerebral, que pode acometer adultos e idosos. Por conta disso, a família dele informou, por meio de um comunicado, que o ator dará uma pausa na sua carreira para tratar a doença.

“Para os incríveis apoiadores de Bruce, como família, queríamos compartilhar que nosso amado Bruce está passando por alguns problemas de saúde e, recentemente, foi diagnosticado com afasia, o que está afetando suas habilidades cognitivas”, inicia a nota. “Este é um momento realmente desafiador para a nossa família e estamos muito gratos por seu amor, compaixão e apoio contínuo.

Estrela de filmes como “G.I. Joe: Retaliação”, “Os mercenários”, “O sexto sentido”, e da franquia “Duro de matar”, tem 67 anos e já conquistou um Globo de Ouro e um Emmy de melhor ator em série de comédia ou musical, em 1986, por “Moonlighting”, e um Emmy de Melhor Ator Convidado em Série de Comédia, em 2000, pela participação em “Friends”.

Afasia

A afasia é uma condição médica que pode afetar a capacidade de uma pessoa de falar, escrever e entender a linguagem, tanto verbal quanto escrita. No entanto, cada um desses aspectos da linguagem está localizado em uma parte diferente, por isso existe mais de um tipo de afasia.

Segundo o Guia de Doenças e Sintomas, do Hospital Albert Einstein, a diferenciação dos tipos de afasias, dentre outros sinais e sintomas neurológicos, são parte importante da avaliação neurológica, auxiliando na investigação das causas e na localização das diferentes lesões neurológicas que levam ao quadro.

As afasias já apresentaram vários tipos de classificação ao longo da história da neurologia. As classificações difundidas, hoje, são aquelas que possuem utilidade clínica comprovada. Testes neuropsicológicos, como por exemplo, o teste de afasias de Boston, são testes padronizados ao redor do mundo, geralmente aplicados por neuropsicólogos que ajudam a entender os diferentes tipos de disfunção da linguagem nas afasias.

Várias funções da linguagem são avaliadas por esses testes como: fluência do discurso, compreensão do discurso, capacidade de nomeação, capacidade de repetição, leitura e escrita. A anamnese adequada e o exame neurológico, realizados por neurologistas experientes, e associados aos resultados dos testes neuropsicológicos podem dar pistas a respeito da localização da lesão cerebral além da causa das afasias. Podemos dividir as afasias em dois grandes grupos baseados na fluência do discurso: afasias fluentes e afasias não fluentes.

Principais sintomas

Os sintomas podem ser percebidos pelo paciente, parentes ou pessoas próximas, sem nenhum treinamento formal, podendo se apresentar das seguintes formas: o paciente fala frases curtas ou incompletas, que não fazem sentido, troca uma palavra por outra ou troca fonemas por outros fonemas — essas trocas são conhecidas como parafasias semânticas ou fonéticas, respectivamente —, fala palavras incompreensíveis, não entende a conversa de outras pessoas e escreve frases que não fazem sentido.

Causas

Várias doenças neurológicas podem levar às afasias por lesões, que acometem as áreas de linguagem, como, por exemplo, os acidentes vasculares cerebrais (AVC), que levam a afasias de instalação aguda ou súbita. As afasias podem também se instalar de forma gradual, como quando relacionadas a tumores cerebrais ou doenças degenerativas como alguns tipos de demências (Demência Frontotemporal ou Doença de Alzheimer).

Outras causas de lesões cerebrais que podem levar às afasias são: abscessos cerebrais, traumas de crânio, esclerose múltipla, etc. O tamanho da lesão cerebral e o tipo de doença de base determinam o grau de deficiência da linguagem.

Diagnóstico

O diagnóstico das afasias é eminentemente clínico, sendo o neurologista o profissional mais habilitado para este diagnóstico. A partir da constatação dos sinais e sintomas pelo exame clínico surge a necessidade de um diagnóstico topográfico, que define onde está a lesão no cérebro, e o diagnóstico etiológico, que é a causa ou doença que levou à afasia. Para o diagnóstico do local da lesão cerebral e da causa, os principais exames complementares são: a tomografia computadorizada e a ressonância magnética.

Tratamento

A doença de base deve ser definida e tratada adequadamente o mais rápido possível. Caso o quadro de afasia apresente instalação aguda ou súbita, o paciente deve procurar imediatamente um pronto-socorro especializado, porque a causa pode ser um AVC. Os AVCs devem ser tratados o mais precoce possível, pois isso aumenta as chances de o paciente evoluir sem sequelas.

Após iniciar o tratamento das doenças de base, o tratamento para as afasias deve ser feito com programas de reabilitação de linguagem que tem como seu principal pilar a fonoterapia. Essa terapia envolve a prática de habilidades linguísticas e pode ensinar os pacientes a suprir deficiências com outras formas de se comunicar. Os membros da família frequentemente participam do processo de reabilitação, ajudando com a comunicação dos pacientes.

Prevenção

Não há como prevenir diretamente as afasias. A prevenção ocorre ao evitar as doenças de base. O controle dos fatores de risco para doenças vasculares como: controle da pressão arterial, diabetes mellitus, colesterol, obesidade, sedentarismo, tabagismo, entre outros, seria uma forma de prevenir AVCs e, consequentemente, as afasias.

Incidência no Brasil

Não há dados estatísticos específicos sobre a incidência das afasias na população brasileira, que podem ser consequência de uma série de doenças neurológicas. A mais comum das doenças neurológicas que levam à afasia são os AVC’s. Dados do DATASUS indicam que houve 170.000 casos de internações hospitalares por AVC no Brasil em 2016, sendo esta doença a principal causa de morte e sequelas incapacitantes no Brasil.

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