‘Afrontravas’: podcast inédito que ressalta múltiplas vivências transvestigêneres estreia no Brasil

Priscilla Peixoto – Da Revista Cenarium

MANAUS – Com a proposta de fomentar e difundir as múltiplas vivências transvestigêneres
existentes no território brasileiro, um coletivo formado por 5 travestis dedicadas aos estudos e trabalhos voltados para existência trans fundaram o projeto @afrontravas podcast. A primeira temporada é de 6 episódios, o primeiro, inclusive, estreou nessa segunda-feira, 21, nas plataformas de streaming, com a temática Educação Travesti.

“O projeto veio de um coletivo que a gente formou para escrever um artigo sobre territorialidades travestis e como a gente se percebe no ambiente onde vive. Uma das ideias do podcast é abrir o diálogo para pessoas trans enxergarem umas as outras dentro da diversidade que existe entre nós travestis, seja preta, gorda, indígena, mestiça”, explica a integrante Ariel Kuma.

Assuntos como saúde, empregabilidade, religião, afetividade, territorialidade e branquitude e racialidade estão inclusos nesta primeira fase do podcast. “Ficamos três horas online gravando tudo e captando áudio e está sendo incrível”, conta Ariel que destaca que as datas dos próximos episódios já estão disponíveis nos dias 23, 25, 28 e 30 de março, finalizando no dia 1° de abril.

Bandeira da população Trans (Reprodução/Internet)

Equipe

Além de Ariel Kuma, travesti de 37 anos, que aos 35 ingressou numa faculdade de teatro e aceitou sua condição trans, e que utiliza o Kuma Espaço de Criação: Arte & Yoga para apoiar outras pessoas trans (transmasculinidades, travestis, pessoas racializades (pretes, pardes e indígenas), a realização do podcast, que ressalta contextos sociais, culturais e étnicos distintos espalhados pelo País, conta com a atuação de nomes como o da multiartista Judá Nunes.

Judá é nascida e criada na Bahia, em Vitória da Conquista, multiartista das linguagens da performance, do audiovisual, da dança e do teatro e graduada licenciada em Teatro pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-UESB (Campus de Jequié). A baiana desenvolve ações como arte-educadora, escritora, curadora pedagógica e pesquisadora de relações artísticas-pedagógicas e é a responsável pelo episódio de estreia do podcast.

A segunda edição com a temática “territorialidade e fronteiras travestis” será conduzida por Fayola Caucaia, travesti racializada parda, autodeclarada mestiça, que usa esse demarcador para visibilizar sua ancestralidade atravessada pelas identidades preta e indígena embranquecidas e perpassadas por apagamento e silenciamento.

A poeta, performer e vocalista do duo denominado “As mambas”, Sued Hosannah também compõe o time de podcasters. Sued é nascida em Alagoinhas, localizada no agreste da Bahia e criada no bairro do Arenoso, localizado na região conhecida como cabula, um quilombo urbano. É graduanda de Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal da Bahia, (UFBA) e vai ficar à frente do terceiro episódio, com o tema “Branquitude e Racialidades”.

Formada pelo curso de Sistemas para Internet no Instituto Federal Farroupilha, no Rio Grande do Sul, a argentina Alana Costa será a responsável por abordar a pauta “Empregabilidades formais e não formais e informais”.

Criada no município chamado Panambi, colonizada e composta até os dias de hoje por uma
população majoritariamente de pessoas brancas de descendência alemã, considerada por ela conservadora e hostil para as vivências trans, Alana usou como tecnologia de sobrevivência o disfarce entre o meio cis heteronormativo como método de proteção e autodefesa. Racializada parda, descendente de brancos e indígenas.

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