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23 de junho de 2021
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Com informações do O Globo

RIO DE JANEIRO – Depois de ouvir o relato de conhecidos e amigos que conseguiram se vacinar nos Estados Unidos com facilidade e sem ter que comprovar residência, o curitibano Kenny Tsushima comprou uma passagem no último domingo para tentar antecipar a sua imunização contra a Covid-19.  

Com 34 anos, sua perspectiva de ser vacinado em Curitiba é no fim do ano ou em 2022. A vacinação anda a passos lentos no Brasil, com frequentes interrupções nas aplicações por falta de doses. Em Miami, na Flórida, Tsushima espera ser imunizado no mês que vem. 

Como os EUA não aceitam passageiros vindos diretamente do Brasil, os turistas têm que fazer a quarentena em outro lugar. Tsushima escolheu ficar estas duas semanas na Cidade do México, dentro do hotel, pois prefere manter o isolamento social. Mas a maioria dos turistas que buscam esta rota tenta unir a vacinação a uns dias de lazer nas praias do mar do Caribe.   

É de olho nesses dois perfis que buscam por vacinação no exterior que agências brasileiras de viagem criaram os chamados “pacotes da vacina” para quem tem visto em dia e pode arcar com esses custos.

Os combos incluem passagem e hospedagem de ida e volta, geralmente, para Miami ou Nova York, com 14 dias na Costa Rica, República Dominicana ou México — sendo este o destino mais procurado, em especial a famosa Cancún.

A maioria dos compradores são jovens, na faixa dos 20 a 40 anos, e muitas vezes viajam em família. Cada pacote custa de R$ 17 mil a R$ 20 mil. Mas o tempo é tempo da estada é suficiente apenas para a primeira dose.

Duas doses exigem mais tempo

A vacina da Johnson & Johnson é de dose única. Mas imunizantes da Moderna e da Pfizer-BioNTech precisam ser aplicados duas vezes, com intervalo de 28 e 21 dias, respectivamente. Nesses casos, o custo da viagem pode subir cerca de R$ 500 a R$ 700 por dia, valor médio da hospedagem, totalizando de R$ 10 mil a R$ 14 mil a mais — fora alimentação e outras despesas.  

As agências afirmam que não há garantia de que o cliente será vacinado. É por conta e risco de quem compra. No entanto, eles reforçam que as pessoas estão conseguindo ser imunizadas mesmo sem ser residentes ou trabalharem nos EUA. É necessário apresentar o teste de PCR negativo feito 72 horas antes de entrar no País.

Outro motivo que reforça o discurso das empresas é a sinalização, por parte de algumas autoridades americanas, de que pretendem incentivar o “turismo de vacina”.   

Uma agência da Flytour em Salvador, na Bahia, publicou na última sexta-feira um post em sua rede social e enviou para clientes o anúncio de um pacote de vacinação em Nova York depois de quarentena no México. 

A dona da agência Marcia Rosa conta que desde o início do ano, quando os EUA adotaram restrições para quem chega do Brasil, já havia uma grande procura de pessoas por esta entrada via México. No final de abril, ela e o marido, que têm dupla cidadania, fizeram a rota e foram imunizados em solo americano.

“Vi que seria um pacote bom para quem quisesse, mas não lançamos porque não tem como garantir a vacina nos Estados Unidos, é o governo quem dá. Quando o prefeito de Nova York disse que queria vacinar turistas, vimos a demanda e aproveitamos. De sexta (da semana passada) até agora, muita gente nos procurou”, destacou.   

Para ela, quanto mais pessoas vacinadas melhor. “Não condeno quem quer vir. Se tem País com sobra e oferecendo, por que não?”, questiona.