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25 de setembro de 2021
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Priscilla Peixoto – Da Cenarium

MANAUS (AM) – Com a chegada de agosto, inicia também a campanha voltada ao enfrentamento da violência contra a mulher. O ‘Agosto Lilás’ surgiu para celebrar os dez anos da Lei Maria da Penha – sancionada em 7 de agosto de 2006 e prestes a completar 15 anos, em 2021 – com o objetivo de intensificar a divulgação da norma e incentivar mulheres a denunciar seus agressores.

De acordo com a delegada titular da Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM), Débora Mafra, neste ano, a campanha se torna mais “especial” em decorrência do aniversário de 15 anos da Lei que garante proteção à mulher.

“No próximo sábado, o Agosto Lilás vai debutar e isso marca um período muito importante para a sociedade como um todo, não só para as mulheres. Ele reforça a necessidade e responsabilidade que todos têm em não aceitar nenhum tipo de violência. Nos convida a uma reflexão quanto ao assunto que, infelizmente, é uma realidade em muitos lares”, ressalta a delegada amazonense.

A campanha foi elaborada pela Subsecretaria de Políticas Públicas para Mulheres (SPPM) do Governo de Mato Grosso do Sul e é essencial para a conscientização da sociedade contra a violência doméstica, fomentando ações sociais e programas educacionais.

A campanha celebra 15 anos de existência neste ano (Reprodução/Freepik)

Dados

Uma pesquisa do Instituto Datafolha, encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e divulgada em junho deste ano, mostrou que uma em cada quatro mulheres acima de 16 anos já foi vítima de algum tipo de violência no Brasil apenas durante a pandemia de Covid-19. Em 2020, foram 105.821 denúncias de violência contra a mulher.

Segundo os últimos dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), mais de mil mulheres sofreram com violência doméstica em todo o Estado apenas nos dois primeiros meses deste ano. Em Manaus, foram 1.023 casos registrados nos meses de janeiro e fevereiro. O interior do Estado contabilizou 73 casos registrados durante o mesmo período.

O Governo do Estado informou, no último dia 7 de março, que o serviço emergencial 190, do Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops), recebeu 9,2 mil ligações de mulheres em situação de violência doméstica, ou seja, solicitando ajuda da Polícia Militar, só no ano de 2020. O pedido de socorro representou 9% do total de acionamentos daquele ano. Os crimes mais registrados pelas mulheres nas delegacias do Amazonas são injúria, ameaça, lesão corporal, perturbação da tranquilidade e vias de fato.

Agressor

A delegada Débora Mafra destaca que, na maioria dos casos, o agressor é alguém que participa do convívio da vítima. Durante o período da campanha, estas mulheres geralmente tomam coragem, a partir da intensa veiculação de orientações nas mídias, e denunciam a violência e os agressores.

“A mulher tem que ser tida dentro de casa como um ser humano que merece respeito e não como alguém que pode apanhar pelo seu agressor, que na maioria das vezes é alguém que detém o carinho dela. Para se ter uma noção, vergonhosamente o Brasil ocupa o 5º lugar no ranking mundial do feminicídio. É importante que as pessoas saibam que o ‘Agosto Lilás’ é contra a violência física, psicológica, moral, patrimonial e sexual. Então, por aí, se compreende a importância de iniciativas como estas”, pontua a delegada.

O lilás “abraça” o simbolismo da luta mundial das mulheres pela igualdade de direitos e respeito (Reprodução/Freepik)

Lilás

A escolha do lilás como cor representativa para o mês não é em vão. O lilás “abraça” o simbolismo da luta mundial das mulheres pela igualdade de direitos e respeito, por ser uma tonalidade resultante da mistura das cores primárias azul e vermelho. O tom é conhecido como a cor da igualdade e foi, inclusive, a tonalidade escolhida pelas sufragistas inglesas na luta pelo direito ao voto, em 1908.

“Celebramos a união do vermelho com o azul que traz o mês do ‘Agosto Lilás’, mobilizando e conscientizando a nossa sociedade para essa problemática, chamando todos para uma rede do bem”, finaliza Débora.

Denuncie

Denúncias de casos de violência domésticas podem ser realizadas pela vítima, familiares e amigos através dos números 180, da Central de Atendimento à Mulher, e pelo 181, da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP). Nos casos de emergência, o pedido de socorro pode ser feito diretamente pelo 190. Os dados do denunciante são mantidos em sigilo.