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25 de setembro de 2021
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Via Brasília – Da Revista Cenarium

Rejeição interna

Como o presidente Jair Bolsonaro não sabe nem gosta de governar, preferindo se dedicar a promover crises diárias, colhe, agora, os frutos de sua insensatez política. Os maiores partidos da parte da base aliada do governo – e que estariam sendo analisados como a agremiação pela qual Bolsonaro poderia concorrer à reeleição em 2022, têm evitado em aderir e abrir as portas ao presidente. Ao menos de imediato, os líderes das siglas PSL, PP, PL e Republicanos enfrentam problemas internos e relutam em entregar os comandos de diretórios ao presidente por conta do tratamento que tanto Bolsonaro como seu governo têm dispensado a “aliados”.

Pano de Fundo

O caso mais recente e emblemático foi o episódio envolvendo a aprovação do fundão eleitoral de R$ 5,7 bilhões. O próprio presidente, os filhos e toda a milícia digital bolsonarista tentaram terceirizar a culpa da aprovação ao jogá-la sob as costas do vice-presidente da Câmara, o deputado federal Marcelo Ramos (PL-AM). Com isso, se indispôs com o terceiro maior partido da Câmara, que conta com 42 parlamentares que costumam marchar unidos, e com o segundo homem da linha sucessória, que pode vir a sentar na cadeira de presidente e colocar em análise um dos 127 pedidos de impeachment de Bolsonaro, em caso de vacância do cargo.

PL prefere Lula

Outro ponto de desgaste entre o PL e o governo é o esvaziamento da secretária de Governo da Presidência da República, Flávia Arruda (PL-DF), que enfrenta o chamado “fogo amigo” desde a sua posse. Um sintoma de que os liberais tendem a se voltar à candidatura de Lula é de que Marcelo Ramos segue reforçando sua oposição ao Governo Bolsonaro sem que nenhum cacique do partido viesse a público desautorizar o parlamentar. Como a tentativa de criar seu próprio partido, o Aliança, foi um retumbante fracasso, restaria a Bolsonaro, fora o PL, outras siglas, algumas grandes, outras nem tanto.

Saindo caro

No PP, partido do presidente da Câmara, Arthur Lira, parte das lideranças regionais, sobretudo do Nordeste, se prepara para embarcar no apoio Lula e rechaça Bolsonaro. O presidente do PSL – sigla com a qual Bolsonaro concorreu em 2018, já teve conversas reservadas com emissários presidenciais e descarta ceder o partido a ele. Já o “terrivelmente evangélico” Republicanos, agremiação do filho, o vereador Carlos Bolsonaro (RJ), usa como desculpa o pouco caso do governo na expulsão de pastores de Angola. A combinação “maus-tratos a aliados” e queda de popularidade traz à tona um problema inédito na política brasileira, a rejeição à filiação de um presidente da República. “Ninguém quer Bolsonaro. Tá saindo caro”, resumiu um líder partidário.