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21 de novembro de 2021
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Victória Sales – Da Cenarium

MANAUS – Em relatório divulgado nesta quarta-feira, 20, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid concluiu que a “aquisição de imunizantes deveria ter figurado como principal providência no processo de prevenção à disseminação do coronavírus”. O senador Renan Calheiros (MDB-AL), responsável pelo documento, realizou a leitura da conclusão do documento de mais de mil páginas. 

“A compra de vacinas, ao lado de medidas de cunho não farmacológico, tais como o distanciamento social e o incentivo ao uso de máscaras e álcool em gel, deveria ter tido precedência na definição da política pública de saúde adotada pelo governo brasileiro no enfrentamento da pandemia, o que, no entanto, não ocorreu e acabou favorecendo a disseminação do novo coronavírus e contribuiu para a morte de centenas de milhares de brasileiros”, ressalta trecho do relatório.

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Negociações

Segundo documento, todas as negociações de vacinas em 2020 partiram da gestão do ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, do ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde Élcio Franco, e de autoridades indicadas pelo presidente da República, Jair Bolsonaro.

“Durante esse período, foram feitas as primeiras ofertas de aquisição preferencial de vacinas, com destaque para o imunizante CoronaVac, da empresa Sinovac, que entregaria o Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) ao Instituto Butantan para produção e envasamento, e o da Pfizer, que já seria entregue pronto”, disse o relatório.

Vacina da Pfizer pode começar a ser aplicada se for eficaz e segura (REUTERS/Dado Ruvic/Direitos Reservados)

“Ocorre que os acordos e a conclusão das negociações do governo federal com as referidas empresas sofreram injustificável atraso, o que impactou diretamente na aquisição das vacinas e, consequentemente, na imunização da população brasileira”, salientou o documento, destacando ainda que, quando o desenvolvimento de vacinas se tornou uma realidade, o governo federal, em vez de ampliar ao máximo as suas opções, centralizou sua atenção na vacina na empresa AstraZeneca.

Justificativas

Ainda de acordo com a tese apresentada, Pazuello e Élcio Franco deram justificativas insuficientes sobre o atraso na compra das vacinas, “já que não apresentam fundamentos consistentes para eximir de responsabilidade o governo federal”.

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“A atuação negligente do governo federal na aquisição de vacina apenas reforça as hipóteses levantadas nos capítulos anteriores deste relatório: optou-se por priorizar a cura via medicamentos, e não vacinação, e expor a população ao vírus, para que fosse atingida mais rapidamente a imunidade de rebanho pela contaminação natural”, argumento ainda de um dos trechos do documento.

Em depoimento à CPI, no dia 20 de maio deste ano, Pazuello dispõe de relatos “evasivos” e “contraditórios”. Questionado sobre a sétima proposta de compra da vacina na Pfizer e ter permanecido em silêncio de agosto até novembro de 2020, o ex-ministro destaca que “se tratava de uma vacina com tecnologia desconhecida, muito mais cara que as demais, e que demandava logística complexa de armazenamento, em temperaturas muito baixas”.