Amazonas deve registrar 1800 casos de câncer do colo do útero até 2026

Imagem mostra a fachada da Fundação Cecon, unidade especializada em tratamento de câncer no Amazonas (Divulgação)
Da Cenarium*

MANAUS (AM) – O câncer do colo do útero é a terceira maior causa de mortes prematuras femininas no País, sendo um desafio nacional. No Estado do Amazonas, a previsão é de que sejam registrados 1.800 novos casos até 2026, conforme dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca). O Instituto projeta 51 mil ocorrências para todo país, no mesmo período. O índice poderia ser reduzido com a adoção de mecanismos de controle, como vacinação e rastreio. De acordo com dados da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), em 2024, mais de 120 mulheres morreram em decorrência da doença, que é considerada 100% evitável.

Segundo Mônica Bandeira, ginecologista da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Amazonas (FCecon), o câncer do colo do útero é 100% evitável se o diagnóstico for realizado com antecedência. “Identificar lesões precursoras garante a não evolução para o câncer. A Organização Mundial da Saúde estima que seria possível reduzir entre 60% e 90% das ocorrências aumentando o rastreamento da população feminina para, ao menos, 80% das mulheres. Por ser uma infecção sexualmente transmissível, o uso da camisinha nas relações sexuais é um importante método de prevenção, além da vacina contra o HPV que é ofertada gratuitamente pelo SUS, o que garante maior proteção”, destaca a médica.

Doutora Monica Bandeira, especialista em ginecologia (Divulgação)

A recomendação do imunizante é para jovens entre 9 e 14 anos, além da população imunossuprimida (vivendo com HIV/aids, submetidos a transplantes de órgãos sólidos/medula óssea e pacientes oncológicos), de 15 a 45 anos. Desde 2020, a OMS trabalha com a meta de eliminar o câncer de colo de útero e o classifica como um problema de saúde pública mundial.

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De acordo com a FVS, 121 mulheres chegaram a óbito devido ao câncer, somente no primeiro semestre deste ano. A última Pesquisa Nacional de Saúde revelou que a taxa de rastreamento da doença, causada por alguns tipos Papilomavírus Humano (HPV) é menor em mulheres de baixa escolaridade, pardas e negras.

Centro de Prevenção

Previsto para inaugurar em agosto deste ano, em Manaus, o Centro Avançado de Prevenção ao Câncer do Colo do Útero do Amazonas (Cepcolu), atenderá mulheres diagnosticadas com lesões pré-cancerosas, onde poderão realizar o procedimento de conização (uma pequena, simples e rápida cirurgia para a retirada das lesões em forma de cone, assim evitando o câncer de colo uterino).

O Cepcolu fica localizado ao lado do FCecon. Foram investidos na construção R$ 5.627.009,51 milhões, sendo R$ 4.936.744,62 milhões pelo Governo do Estado e R$ 690.264,79 mil por meio de emendas parlamentares do deputado estadual Delegado Péricles (PL). O parlamentar também destinou R$ 1,05 milhão para aquisição de equipamentos e insumos para o Cepcolu.

Número de profissionais

A doutora Mônica Bandeira ocupou a tribuna da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) para alertar os parlamentares sobre a grande deficiência da Fundação Cecon, única unidade de saúde do estado especializada no tratamento do câncer.

Como é possível um hospital de oncologia de alta complexidade funcionar com um déficit de 62% de recursos humanos frente a uma demanda cada dia maior de pacientes? A resposta é extremamente desgastante, cansativa e desesperadora“, declarou. Assista ao vídeo:

De acordo com a especialista, há carência de qualificação de todos os recursos humanos, administrativos, técnicos de enfermagem, enfermeiros, médicos, dentre outros. “Na minha área, nós estamos com menos cinco ginecologistas. A Fundação Cecon está de mãos atadas. Diariamente, vivenciamos o desmonte para os nossos pacientes em todos os setores por falta de recursos humanos. Trabalhamos sobre um regime de esforço hercúleo, ao modo de operação tapa buracos e apagando incêndios. Até quando?”, perguntou a médica.

A ginecologista, ao lado de vários outros colegas da Fundação Cecon, implorou por uma nova forma de tratar a unidade de saúde e sua equipe a fim de que eles possam atuar com eficiência e dignidade. “A causa câncer precisa ser definitivamente priorizada como política de estado sem descontinuidade”, pediu emocionada.

Leia mais: Pesquisadores querem saber por que mortalidade por câncer é maior entre mulheres negras
(*) Com informações de Assessoria
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