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25 de junho de 2021
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Caroline Viegas – Da Revista Cenarium

MANAUS – Dados divulgados pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) nesta sexta-feira, 7, alertam que o desmatamento na Amazônia Legal atingiu em abril deste ano o pior índice para o mês já registrado na série histórica desde 2015. Os dados mostram que o desmatamento na região cresceu 42% em relação ao mesmo mês do ano anterior. No cenário, os Estados do Pará, Mato Grosso e Rondônia lideram o ranking de desmatamento.

Desmatamento ilegal na Amazônia tem pior mês de abril desde 2015 (Captura de tela/Inpe)

Conforme o relatório do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), a área desmatada em abril foi de 580 km². O Estado do Pará permanece liderando o ranking de desmate e vem apresentando um aumento significativo de área degradada. No balanço que contempla o período anual entre agosto de 2019 a abril de 2020, o Estado apresenta uma área de 4.532,14 km² com incrementos de desmatamento, é o maior índice desde de 2008 quando verificou-se 5.636,55 km².

Gráfico disponibilizado no relatório do Deter, referente ao Estado do Pará (Reprodução/ TerraBrasilis)

Só este ano já é o segundo recorde de desmatamento na Amazônia Legal. Em março, o Deter detectou perda de 367 km² de floresta, um aumento de 12,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior, e maior área da série histórica para o mês. Em nota, o Observatório do Clima (OC) afirma que esses índices desmentem a nota do Governo Federal que comemora uma queda de 15% no desmatamento devido a Operação Brasil Verde 2, comandada pelo Exército na Amazônia.

“Os alertas têm oscilado mês a mês para cima e para baixo, o que mostra que não existe uma política consistente ou uma ação sustentada da administração federal para controlar a devastação”, afirma o OC, que se demonstra preocupada com o alto índice dos últimos dois meses e critica a gestão federal atual.

“Em 2021, não há nenhum esforço federal de controle do desmatamento acontecendo na Amazônia. A fiscalização do Ibama está parada devido a mudanças impostas por Ricardo Salles nos procedimentos de autuação. O processo de punição a crimes ambientais também foi inviabilizado pelo ministro”, prossegue a nota da rede composta por 63 organizações não governamentais e movimentos sociais.

Amazônia Legal

Além do Pará, Mato Grosso e Rondônia apresentam altos índices de desmatamento e estão no topo do ranking. Mato Grosso, assim como o Pará, tem apresentado um aumento significativo nos meses de março e abril deste ano, justamente os meses em que se têm verificado os dois recordes consecutivos se comparado ao mesmo período dos anos anteriores, desde 2015.

Em fevereiro, o Estado apresentou uma área de 27,12km² com avisos de desmatamento, enquanto em março e abril subiu para 81,89km² e 117,34km², respectivamente.

Gráfico disponibilizado no relatório do Deter com informativo mensal de área desmatada no Estado de Mato Grosso (Reprodução/ TerraBrasilis)

O Estado de Rondônia, que por sua vez ocupa o terceiro lugar no ranking, apresenta o mesmo denominador comum que Pará e Mato Grosso, que é o aumento nos últimos dois meses. No entanto, este vem apresentando esse relevo crescente no índice desde fevereiro como mostra o gráfico abaixo.

Gráfico disponibilizado no relatório do Deter com informativo mensal de área desmatada no Estado de Rondônia (Reprodução/ TerraBrasilis)

A tendência é piorar

De acordo com o ambientalista Carlos Durigan, o período de seca da Amazônia que se aproxima preocupa ainda mais no que tange o cenário do desmatamento. “Ver esse aumento significativo agora entre março e abril é preocupante, porque desmatamento significa área queimada durante o verão amazônico. Nesse período de chuva, as pessoas estão fazendo a derrubada da floresta, mas é quando o período de seca se estabelecer que vamos ver um índice ainda maior de desmatamento com as queimadas”, explicou o Durigan.

Conforme o ambientalista, há uma grande divulgação e comoção na mídia devido a esse aumento do desmatamento, mas a previsão é que o cenário piore. “As derrubadas são apenas a primeira frente no processo de desmatamento. O que vem depois é pior. Com a redução da chuva e a chegada da seca, a partir de julho, começam as queimadas e então sentiremos um impacto ainda maior”, afirmou.

During ressalta o desleixo das autoridades em relação ao cenário. “Tudo isso reflete uma falta de compromisso dos nossos gestores públicos, como no caso do Governo Federal, que a gente vê uma redução das ações de fiscalização por parte dos órgãos”, explicou o ambientalista que acrescenta, ainda, a falta de punição dos criminosos. “A pouca punição, incentiva. A gente não vê, por exemplo, um desmatador ilegal recuperar uma área desmatada ou se quer pagar uma multa. Sempre há um desdobramento que acaba é incentivando ainda mais esse tipo de ação ilícita”, finalizou.