Amazônia pode perder 15 mil km² de florestas até julho, alerta Imazon; março fechou com segundo pior trimestre em 15 anos

Iury Lima – Da Revista Cenarium

VILHENA (RO) – O desmatamento da Floresta Amazônica pode alcançar novos recordes negativos em 2022, “caso não ocorram ações efetivas de combate e controle”, de acordo com os novos dados divulgados nesta quinta-feira, 14, pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

A pesquisadora Larissa Amorim revelou que, considerando as análises da PrevisIA, a inteligência artificial do instituto de monitoramento do bioma, criada em parceria com a Microsoft, é de que a devastação das matas deve atingir 15 mil quilômetros quadrados ainda em julho, a contar de agosto do ano passado. “Até agora, nós já atingimos quase um terço desse total”, apontou Amorim.

Por outro lado, o mês de março até apresentou um indicador positivo, a redução de 85% na taxa mensal de desmatamento. Mesmo assim, a especialista do Imazon pondera que não há motivos para comemorar, pois, só nos últimos três meses, a derrubada de vegetação nativa foi equivalente ao tamanho de Salvador, a 15ª maior capital brasileira, ou seja, 687 quilômetros quadrados.

“Quando consideramos o acumulado do primeiro trimestre de cada ano, 2022 apresentou a segunda maior área desmatada, ficando atrás apenas de 2021”, destacou. Esta área de devastação representa o segundo pior recorde para o período, desde 2008, quando o Imazon começou a monitorar a Amazônia Legal por imagens de satélite. 

Pesquisadora do Imazon, Larissa Amorim alerta que apesar da redução de desmatamento, em março, a tendência de aumento do desmatamento é recorrente nos últimos anos (Reprodução/Imazon)

Pequenos avanços, velhos problemas

Segundo o Imazon, este primeiro trimestre de 2022 “só não foi pior do que no ano passado”, porque, naquele mesmo período, a destruição de florestas foi de 1.185 quilômetros quadrados; declínio de 42%. No mês passado, a taxa anual do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) detectou que a devastação caiu de 810 quilômetros quadrados, em março de 2021, para 123 quilômetros quadrados, agora, neste ano.

Mesmo com esses pequenos avanços, o instituto considera o cenário “extremamente preocupante” diante da emergência climática, “pois o setor de mudança do uso da terra é o que mais emite gases de efeito estufa, no País, atualmente”, diz o órgão ambiental.

Para pesquisadores como Larissa Amorim, “apesar da redução no mês de março, o desmatamento vem apresentando uma tendência de crescimento, nos últimos anos e, em breve, entraremos em um período seco, onde, historicamente, as derrubadas das florestas são mais intensas”.

Área desmatada e queimada em Porto Velho, Rondônia, em julho de 2021, no período de seca (Christian Braga/Greenpeace)

Como ficou o ranking

Assim como em fevereiro, Mato Grosso foi a Unidade Federativa integrante do território amazônico que mais explorou os recursos naturais de forma irregular, sendo responsável por 46% da devastação. Pará, com 27% de tudo o que foi derrubado e/ou queimado e, Roraima, com 11%, apareceram na vice-liderança, seguidos por Amazonas, Maranhão e Rondônia.

Leia também: Com destruição do tamanho de Fortaleza, desmatamento da Amazônia atinge pior fevereiro em 15 anos
Mapa revela onde a intensidade do desmatamento foi muito alta, alta, média, baixa ou muito baixa (Reprodução/Imazon)

Desmatamento em março por Estado da Amazônia

EstadoDesmatamento (em km²)Desmatamento em (%) 
Mato Grosso 57 km²46%
Pará33 km²27%
Roraima13 km²11%
Amazonas12 km²10%
Maranhão4 km²3%
Rondônia 4 km²3%
Fonte: Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Imazon

Já a área total de degradação da Amazônia, aquelas regiões onde a recuperação florestal sem intervenção humana já não é mais possível por conta da recorrência do desmatamento, somaram 25 quilômetros quadrados em março deste ano: 96% disso, em Mato Grosso, e os outros 4%, em Rondônia.

Fatura a pagar

Larissa Amorim ressalta que as consequências geradas pelo desmatamento chegam, seja mais cedo ou mais tarde. “Além da perda dos recursos naturais e da biodiversidade, tanto de fauna quanto de flora, o desmatamento também coloca em risco os povos e as comunidades tradicionais, como os indígenas, por exemplo. Já considerando a questão climática, o desmatamento contribui com o aquecimento global que, por sua vez, impulsiona as mudanças climáticas, que são as responsáveis pelos eventos extremos, como as chuvas intensas e as secas severas”, relembrou a pesquisadora.

“Para combater o desmatamento na Amazônia Legal, é necessário intensificar as ações de fiscalização, priorizando aquelas áreas que sofrem maior pressão em relação ao desmatamento. É necessário, também, identificar e punir os responsáveis e embargar essas áreas que estão sendo desmatadas ilegalmente. Somente dessa forma, nós poderemos e conseguiremos garantir o cumprimento das leis ambientais”, finalizou a especialista. 

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