Amazônia tem quase 5 mil km² de áreas desmatadas sob risco de queimadas; AM, MT, PA e RO concentram 35%
O programa preveniria o aumento de queimadas na Amazônia (Reprodução)
Iury Lima – Da Revista Cenarium
VILHENA (RO) – A Amazônia Legal tem uma área de quase cinco mil quilômetros quadrados de vegetação derrubada e seca, correndo o risco de acabar como combustível para queimadas (geralmente o último estágio do desmatamento, muito comum para realizar a “limpeza” e a conversão de floresta em pasto), além de incêndios florestais. É o que aponta um levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), em parceria com o Woodwell Climate Research Center, organização norte-americana de pesquisa científica e estudos sobre os impactos e soluções das mudanças climáticas.
A análise dos pesquisadores revela que Amazonas, Mato Grosso, Pará e Rondônia concentram mais de um terço da soma, ou seja, 35,5%, das áreas desmatadas e ainda não queimadas desde 2019, na maior floresta tropical do mundo, de acordo com o Panorama do Fogo na Amazônia em 2021, como a pesquisa é chamada.
Seca piora situação crítica
De acordo com os dados coletados, com a colaboração de informações do Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e da Nasa (National Aeronautics and Space Administration), foi possível determinar que quase cinco mil quilômetros quadrados, do total da área derrubada na Amazônia, desde 2019, ainda não queimaram. Foram 10 mil km² de árvores derrubadas naquele ano, número que, segundo o levantamento, se repetiu em 2020, prevendo a mesma tendência para este ano.
Assim, o Ipam e o Woodwell Climate Research Center determinaram (no mapa abaixo) onde o risco de queimadas e, por consequência, o surgimento dos incêndios florestais, deve ser maior durante a “temporada do fogo” em 2021, que geralmente ocorre a partir de julho e dura por volta de quatro meses.
O relatório indica que a área em risco é quase quatro vezes maior que Belém, capital do Pará, ou ainda, também, quase quatro vezes o tamanho de São Paulo, além de que ela pode dar lugar ao pior estágio de degradação ambiental, com o risco da “limpeza” da vegetação derrubada, realizada por meio das queimadas, problema agravado pela estação seca.
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Combustível mata adentro
De acordo com o levantamento, a situação piora quanto mais ao sul se está na Amazônia, região onde as condições climáticas secas têm aumentado desde o ano passado, em decorrência do fenômeno La Ninã, o resfriamento das águas do Oceano Pacífico, que, segundo o Ipam, intensifica a seca em algumas regiões da Amazônia.
“A seca também tem sido exacerbada pelo aumento médio das temperaturas devido às mudanças climáticas, que elevam a evaporação e reduzem a umidade no solo, deixando o ambiente mais inflamável. Secas desse tipo aumentam a pressão sobre as florestas remanescentes, particularmente no sul da Amazônia”, destaca o documento.
Esses lugares mais afetados e em risco de piora ficam especialmente a noroeste de Mato Grosso, grande parte de Rondônia, leste do Acre, além de um trecho da rodovia Transamazônica, entre o Pará e Estados mais a sul. Mais de um terço (35,5%) dos 5 mil km² de combustível, estão em dez municípios destes quatro Estados.
Municípios com mais áreas desmatadas e não queimadas (combustível)
Posição
Cidade
Área desmatada e não queimada
1º
Altamira (PA)
305,24 km²
2º
São Félix do Xingu (PA)
254,97 km²
3º
Lábrea (AM)
215,58 km²
4º
Novo Progresso (PA)
204,21 km²
5º
Itaituba (PA)
204,21 km²
6º
Porto Velho (RO)
171,37 km²
7º
Apuí (AM)
149,64 km²
8º
Colniza (MT)
133,07 km²
9º
Jacareacanga (PA)
71,34 km²
10º
Novo Aripuanã (AM)
63,53 km²
Fonte: Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam)
Já as cidades que passam por condições de extrema seca têm 283 km² de áreas desmatadas que ainda não foram queimadas. “Esses municípios também possuem grandes trechos de florestas remanescentes que podem ser atingidas por incêndios sem controle. Lábrea, no Amazonas (destacado no mapa), tem ao mesmo tempo grande volume de vegetação pronta para queimar e seca extrema, uma combinação que pode piorar ao longo da temporada. Esses municípios devem ser considerados prioritários para ações contra queimadas”, ressalta um trecho do levantamento.
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