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23 de novembro de 2021
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Náferson Cruz – Revista Cenarium

MANAUS – “Os números de focos de calor na Amazônia são tão ruins quanto em 2019 e a situação ainda é muito preocupante, pois a floresta segue sendo queimada e desmatada em taxas inaceitáveis”. A declaração de Cristiane Mazzetti, porta-voz da campanha Amazônia do Greenpeace, Organização Não Governamental (ONG), feita à REVISTA CENARIUM, refere-se aos dados do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) que apontam que o mês de agosto, como o segundo pior resultado de focos de queimadas nos últimos 10 anos, nos Estados que compõem o Bioma Amazônico.

De acordo com o levantamento, a Amazônia obteve no mês de agosto 29.307 focos detectados. O volume, segundo o Inpe, está acima da média histórica de 26 mil focos para o mês monitorado (agosto) e 5% inferior aos 30.900 registrados no mesmo mês de 2019. Entretanto, a organização Observatório do Clima avalia que é preciso ponderar os dados de agosto em razão da falha no sistema do satélite usado pelo Inpe, o Aqua. O dano no sensor fez com que o monitoramento em parte da Amazônia não fosse concluído no dia 16, produzindo um número anormalmente baixo de detecções.

Conforme o monitoramento no último mês, o Pará foi o Estado que mais registrou focos de queimadas na região, com 10.865, enquanto que o Amazonas detectou 8.030, seguido do Acre, com 3.578. O Estado do Mato Grosso, que antes ocupava a terceira posição do ranking da devastação no bioma amazônico, agora contabilizou 3.336. A quinta colocação ficou com Rondônia com 3.086 focos.

Para Cristiane Mazzetti, o atual cenário demonstra que estamos presenciando a mesma tragédia ambiental que se abateu sobre a Amazônia em 2019. “Essa queda em agosto de 5% nos focos de calor não pode ser comemorado, uma vez que, estes números podem estar subestimados devido ao problema técnico ocorrido no dia 16 agosto, esse problema afetou o recebimento dos focos de calor pelo satélite de referência utilizado pelo Inpe, deixando claro que as estatísticas poderiam estar subestimadas, ou seja, agosto de 2020 na verdade pode se o pior em 10 anos”, comentou.

Mazzetti ressalta que os elevados números nos dados do Inpe é reflexo da política antiambiental implementada pelo governo Bolsonaro. Segundo ela, a atual política governamental enfraqueceu e tirou a autonomia dos órgãos de fiscalização, incentivando assim a impunidade.

“O pouco que o governo se propôs a fazer para “enfrentar” a destruição da Amazônia já foi pensado para não ter resultado e, claro, a gente não esperava nada diferente, uma oratória que proíbe o fogo, desassociada a forte fiscalização e com o emprego das Forças Armadas para fazer o combate ao desmatamento no lugar de órgãos com experiência nessa atividade, coloca a Amazônia nessa situação dramática que pode ser observada nas estatísticas”, disse a porta-voz da campanha Amazônia do Greenpeace.

Ação militar não surte efeito

Entre maio e agosto, período de presença do Exército na Amazônia, o número de queimadas foi de 39.187, basicamente o mesmo de 2019 (38.952). Os militares estão na Amazônia desde 11 de maio, quando foi iniciada a Operação Verde Brasil 2, justamente com a missão de combater os crimes na floresta.

“As Forças Armadas são bem custosas e estão em campo desde meados de maio, existe uma oratória proibindo o uso do fogo em vigência desde meados de julho, e a situação é praticamente a mesma e isso preocupa a todos aqueles que se importam com a proteção da Amazônia”, pontua Mazzetti.

Queimadas nas Unidades de Conservação

Segundo Cristiane Mazzetti, os focos de queimadas também tiveram um aumento dentro de áreas protegidas. Em agosto de 2020, nas Unidades de Conservação (UC), houve uma ocorrência de 10% a mais no número de focos em relação a 2019, relata a porta-voz: “Nestas regiões a destruição tem aumentado bastante quando deveriam estar protegidas”, lamentou.

Comparativo dos últimos oito meses

A quantidade de focos de queimadas nos últimos oito meses deste ano, se confrontada com o acumulado nos oitos meses de 2020, com o mesmo período do ano passado, há uma acentuada queda de 6% nos registros de 2020. Os focos totalizaram 44.013 detecções contra 46.824 registrados no ano anterior.