28 de fevereiro de 2021

Victória Sales – Da Revista Cenarium

MANAUS – Em entrevista exclusiva à REVISTA CENARIUM, os ambientalistas Carlos Durigan e José Narbaes rebateram discurso feito pelo vice-presidente da República, Hamilton Mourão, o qual ele citou que o Brasil não mede esforços quando o assunto é a redução do desmatamento na Amazônia e comemorou os resultados de 2020.

De acordo com Carlos Durigan, esse otimismo não deveria existir, pois nos últimos dois anos já havia a tendência do aumento de desmatamento. “A tendência tem sido de aumento e o que é pior, nós tivemos um aumento significativo de desmatamento que está relacionado à ocupação ilegal de terras públicas”, disse o ambientalista.

Durigan destaca também que não é possível identificar um cenário otimista para a região e não só para o local, mas para todo o bioma que tem sofrido significativamente, como foi o caso do Pantanal. “O que nós vemos é uma fragilização das políticas ambientais nacionais, vários conselhos, que existiam e estão fragilizados, como foi o caso do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) está com quadro reduzido de profissionais, baixa redução orçamentária”, destacou.

Durigan ressaltou ainda que têm muitas frentes de fragilização das políticas públicas socioambientais na Amazônia que estão elevando esse cenário destrutivo, e não é um destrutivo somente ambiental, é também a degradação social, pois é possível ter bastante conflitos, como invasão de terras indígenas ou territórios de comunidades, que tem levado à morte de muita gente.

Para o ambientalista e biólogo, José Narbaes, o desmatamento no ano passado na Amazônia não é algo para se comemorar. “Foi o maior aumento em 12 anos, isso não foi e nunca será motivo de comemoração. O presidente deveria lutar para acabar com o desmatamento ilegal. Esse é o nosso principal objetivo para a comemoração, quando não tiver mais nenhum desmatamento ilegal na Amazônia aí finalmente vamos poder comemorar”, destacou.

Desmatamento

Em 2020, a destruição da floresta amazônica esteve com um ritmo acelerado. De acordo com os dados de monitoramento divulgados em agosto de 2020, pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a taxa de desmatamento na região amazônica cresceu 34% nos últimos 12 meses anteriores à pesquisa, em comparação ao ano de 2019.

O Inpe destacou que essa foi a segunda alta consecutiva nos primeiros anos de gestão do presidente Jair Bolsonaro. Em cálculo feito pelo Instituto, isso significa mais de 9,2 mil quilômetros quadrados, equivalente a seis vezes o tamanho do município de São Paulo.