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12 de maio de 2021

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Matheus Pereira – Da Revista Cenarium

MANAUS – A Anistia Internacional realizou, na última semana, uma série de ações no Brasil e em outros países para pressionar a JBS e exigir que a empresa pare de comprar gado bovino que tenha pastado ilegalmente em áreas protegidas na floresta amazônica. Em 2020, a Anistia divulgou um relatório em que constata que gado bovino criado ilegalmente em áreas protegidas na região entrou na cadeia de fornecimento da JBS.

A entidade entregou à diretoria da empresa frigorífica mais de 57 mil assinaturas de pessoas de 84 países que apoiam a petição “Diga à JBS para não comprar gado ilegal da Amazônia”. Lançada em julho do ano passado, a petição exige que a JBS implemente um sistema de monitoramento eficaz, incluindo seus fornecedores indiretos e corrija os abusos e violações de direitos humanos sofridos por povos indígenas e moradores de áreas protegidas e ainda compense, em cooperação com seus fornecedores, as comunidades indígenas e das reservas por danos ambientais causados pela pecuária comercial ilegal em suas áreas protegidas. Porém, as medidas não foram adotadas.

Além da petição, a Anistia levou às ruas de São Paulo um caminhão contendo réplicas de gado bovino que exibiu mensagens de repúdio à compra de gado criado em áreas ilegais. “Comprar gado ilegal é financiar a violação de direitos humanos na Amazônia”, era uma das mensagens contidas no caminhão.

Anistia Internacional usou caminhão para realizar ação em São Paulo (Divulgação/Anistia Internacional)

Em nota, a diretora-executiva da Anistia Internacional Brasil, Jurema Werneck, afirmou que a JBS precisa assumir um compromisso público em parceria com seus fornecedores, para indenizar indígenas e moradores das áreas protegidas onde houve criação de gado ilegal. “A criação de gado ilegal favorece outras práticas também associadas às violações de direitos humanos como a grilagem, a invasão de terras e o desmatamento. Os olhos do mundo estão voltados para a Amazônia e a Anistia Internacional também chama atenção para as pessoas que vivem sob ameaças constantes, nesses territórios”.

Relatório

A Anistia Internacional lançou o relatório “Da Floresta à Fazenda”, que denunciou a presença de gado criado de forma ilegal em áreas protegidas da floresta amazônica brasileira na cadeia de fornecimento JBS, que é a maior produtora de carne bovina do mundo.

Limite da Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau em Rondônia, Brasil (Gabriel Uchida)

No relatório, a entidade revelou que, em 2019, a empresa comprou gado criado em fazendas ilegais no Estado de Rondônia. As fazendas operavam ilegalmente na terra indígena Uru-Eu-Wau-Wau e nas Reservas Extrativistas do Rio Jacy-Paraná e Rio Ouro Preto.

Ainda no documento, a Anistia expõe que a pecuária bovina comercial ilegal em áreas protegidas explodiu. Já que dados da Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril do Estado de Rondônia (Idaron) mostram que, em abril de 2020, havia 1.502 fazendas de gado bovino registradas situadas em áreas protegidas do Estado de Rondônia onde a pecuária bovina comercial é ilegal.

Após a divulgação do relatório, a JBS anunciou que iria introduzir um novo sistema para monitorar seus fornecedores de gado, incluindo seus fornecedores indiretos, até 2025. Já em março de 2021, a empresa emitiu nota em que estabeleceu um “compromisso de atingir as emissões líquidas de Gases de Efeito Estufa (GEE) até 2040”, incluindo uma promessa de “atingir o desmatamento zero em sua cadeia de fornecimento global até 2035”.