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26 de janeiro de 2022
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Com informações da Folha de S. Paulo

SÃO PAULO – Em levantamento feito em cidades da Grande São Paulo, interior e litoral, a reportagem constatou que ao menos 42 pessoas morreram à espera de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para atendimento dos casos de Covid-19.

A reportagem procurou 60 administrações municipais (9,3% do total de 645 cidades paulistas), incluindo as 40 com mais de 200 mil habitantes e que, geralmente, comportam os hospitais de alta complexidade, que oferecem serviços tais como o de UTI e tratamentos mais complexos, como hemodiálise, necessários para tratar doenças nos rins, um dos principais problemas de quem enfrenta casos graves de Covid-19.

Dos 60 municípios procurados, 23 responderam até a publicação desse texto. E, destes, 14 informaram que pessoas morreram à espera de leitos de UTI.

O maior número de mortes ocorreu na cidade de Taboão da Serra (Grande São Paulo) com 12 casos. O último desses casos foi na manhã dessa quarta-feira, 10. Internada desde o último sábado, 6, quando foi solicitada a transferência via Cross (Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde), uma mulher de 82 anos morreu. A Prefeitura de Taboão da Serra informou que ela apresentava comorbidades, como hipertensão e diabetes. Outros 12 pacientes graves ainda aguardam transferência para leitos de UTI.

Em Ribeirão Pires, também na região metropolitana, mais quatro pessoas morreram à espera de leitos, sendo dois homens (64 anos e 78 anos), e duas mulheres (de 68 anos e 71 anos). Todos morreram entre a noite dessa quarta-feira, 10, e na manhã desta quinta-feira, 11.

Todos estavam internados em serviços públicos de saúde da cidade à espera de leitos de UTI, já que o quadro de saúde que apresentavam era grave. Agora, no total, são seis mortes na cidade à espera de leitos de UTI, já que outras duas já haviam sido registradas.

Ainda em Ribeirão Pires, outras 15 pessoas aguardam vagas na fila do sistema estadual.

A saturação do sistema atinge até a pequena cidade de Buri, com cerca de 20 mil habitantes, distante 264 quilômetros da capital paulista. O município registrou três mortes de pessoas que estavam na fila de uma vaga de UTI para Covid. Um dos casos foi o de um homem de 70 anos, internado desde o dia 1º de março e morto na última segunda-feira, 8. “É uma tristeza só. O colapso chegou até aqui. Nunca vi situação tão triste”, afirmou a enfermeira Elaine Vieira Campos, atuando há 15 anos na profissão.