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20 de outubro de 2021
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Déborah Arruda e Linda Almeida – Da Cenarium

MANAUS (AM) – A estátua de Manuel de Borba Gato, localizada na zona Sul de São Paulo, foi incendiada durante a manifestação deste sábado, 24. O grupo Revolução Periférica assumiu a autoria do incêndio, que foi controlado minutos depois pelo Corpo de Bombeiros. O atentado à estátua está relacionado à manifestação contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), em favor da preservação da Amazônia e pela luta para garantia dos direitos indígenas, que vêm sendo constantemente ameaçados durante o governo de Bolsonaro.

Os manifestantes agruparam pneus aos pés da estátua, que possui 10 metros e pesa cerca de 20 kg, e atearam fogo logo em seguida. Esta não foi a primeira vez que o monumento sofreu com algum tipo de protesto. Em 2016, por exemplo, a estátua foi alvo de um banho de tinta. De acordo com um dos integrantes do grupo responsável pelo incêndio, em publicação nas redes sociais, o bandeirante seria responsável pelo genocídio da população indígena.

Assista ao vídeo do momento:

Vídeo do momento do incêndio (Reprodução)

O monumento foi inaugurado em 1963 e integra o Inventário de Obras de Arte em Logradouros Públicos da Cidade de São Paulo, mantido pelo Departamento do Patrimônio Histórico. Após ameaças de derrubada da estátua, no ano passado, a subprefeitura de Santo Amaro solicitou a instalação de gradis ao redor do bandeirante, além de o monumento ter sido vigiado 24 horas por dia pela Guarda Civil Metropolitana durante o período.

A estátua de Borba Gato é alvo frequente de críticas de grupos que defendem retiradas de monumentos que exaltam pessoas ligadas ao passado brasileiro marcado pela escravidão, a colônia e a ditadura. Este tipo de movimento é antigo, mas se intensificou nos últimos três anos.

Homenagem indevida

O bandeirante exerceu o cargo de juiz ordinário em Sabará e participou da Guerra dos Emboabas. No entanto, outro lado de sua história gera revolta entre grupos indígenas justamente por cumprir suas missões, que, à época, eram tidas como grandes desbravadores de novas terras, quando caçavam indígenas, estupravam e escravizavam-nos durante as expedições. Muitas vezes, aldeias inteiras eram destruídas e seus habitantes dispersados.

Desta forma, conforme o debate sobre a mudança de visão ética dos bandeirantes segue adiante, grupos aproveitam para levantar o questionamento sobre por qual motivo eles ainda seguem sendo tidos como heróis.