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22 de outubro de 2021
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Com informações do InfoGlobo

BUENOS AIRES — Uma crise foi aberta no governo do presidente argentino Alberto Fernández nesta quarta-feira, 15, depois que cinco ministros — de um total de 21 — e pelo menos três altos funcionários anunciaram sua renúncia por meio de cartas divulgadas publicamente. O movimento acontece dias após a derrota eleitoral sofrida pelo governo nas Primárias Abertas Simultâneas e Obrigatórias (Paso), realizadas no último domingo para a escolha dos candidatos que disputarão vagas na Câmara e no Senado nas eleições legislativas de 14 de novembro.

Todos os que assinaram as cartas são ligados ao movimento jovem kirchnerista La Cámpora, liderado por Máximo Kirchner, filho da e ex-presidente e atual vice-presidente Cristina Kirchner, ou respondem a ela. A manobra foi entendida como uma pressão sobre o peronista Fernández para uma reforma ministerial ampla que dê mais peso ao kirchnerismo e às políticas defendidas por essa facção.

Renunciaram os ministros do Interior, Eduardo de Pedro; da Justiça, Martín Soria; de Ciência e Tecnologia, Roberto Salvarezza; do Meio Ambiente, Juan Cabandié; e da Cultura, Tristán Bauer. Além deles, deixaram o cargo a titular do Programa de Saúde Integral (Pami), Luana Volnovich; a diretora da Administração Nacional de Segurança Social (Anses), Fernanda Raverta; e a secretária de Comércio, Paula Español.

“Ouvindo suas palavras na noite de domingo, onde se levantou a necessidade de interpretar o veredicto expresso pelo povo argentino, considerei que a melhor forma de colaborar com esta tarefa é colocando minha demissão a sua disposição”, escreveu De Pedro, considerado um elo fundamental entre o kirchnerismo e a Casa Rosada, na carta que apresentou a Fernández.

Surpresa

No domingo, a aliança governista Frente de Todos, de centro-esquerda, obteve menos de 31% dos votos dos eleitores que participaram das primárias, enquanto a coalizão de centro-direita Juntos pela Mudança, do ex-presidente Mauricio Macri, ficou com 40%. Isso significa que o governo corre o risco de perder sua maioria no Senado e a maior bancada na Câmara no pleito de novembro.

A primeira reação da Casa Rosada foi de surpresa. Não pelas demissões, algo considerado normal após a derrota eleitoral, mas pela forma como os demissionários decidiram divulgar a notícia. Após o choque causado pela saída conjunta, outros funcionários se manifestaram para dizer que também já haviam posto os cargos à disposição verbalmente, entre eles o ministro do Desenvolvimento Territorial, Jorge Ferraresi.

A decisão foi conhecida minutos após uma cerimônia no Museu da Casa Rosada que reuniu Fernández e o ministro da Economia, Martín Guzmán — que, junto com o chefe de Gabinete, Santiago Cafiero, é o principal alvo do kirchnerismo. Guzmán lidera as negociações para a renegociação da dívida de US$ 44 bilhões com o FMI e tem defendido medidas de ajuste fiscal, contra a posição de Cristina.

No evento, o ministro da Economia defendeu sua atuação e destacou que muitos dos projetos econômicos foram promovidos graças ao trabalho conjunto com os principais parceiros da Frente de Todos. — O que fizemos foi resolver problemas em um contexto muito difícil, sempre com uma bússola que é melhorar a vida das pessoas, ouvindo. Ouvir é adaptar-se e também seguir convicções — disse Guzmán.