Após lançamento de ‘O Poder é Nosso’, artistas brasileiros recriam personagens negros da Marvel

Com informações do Portal Alma Preta

RIO DE JANEIRO – Lançado no Brasil no último dia 2 de agosto, o projeto “O Poder é Nosso”, da editora Marvel, conta com releituras de seus personagens negros. Nomes como Pantera Negra, Tempestade, Miles Morales, Mulheres de Wakanda e Falcão foram revisitados pelos artistas negros brasileiros Negritoo, Crica, Massai, Luna B e DGOH.

Em conversa com a Alma Preta Jornalismo, os artistas destacaram a importância de “O Poder é Nosso” para o reconhecimento e valorização da arte urbana, principalmente, do grafite, que é o estilo com o qual todos eles trabalham.

A mentora e estilista do projeto, Jal Vieira, fez a pesquisa dos artistas com base nos personagens, para que eles pudessem fazer as recriações inspiradas na identificação pessoal e também estética das ilustrações. “Buscamos a conexão dos artistas com os super-heróis que seriam designados para cada um recriar e os envolver nos processos de decisão”, afirma.

Negritoo recria Pantera Negra

T’Challa, também conhecido como Pantera Negra, é o chefe de Estado da nação africana de Wakanda, o País tecnologicamente mais avançado da Terra. Na sua releitura, Negritoo revela que buscou trazer a força e energia do graffiti e o seu maior desafio foi trabalhar um personagem masculino, já que sempre retrata personagens femininos em suas obras. Neste trabalho, buscou reforçar traços, formas e cores em seu personagem.

Sobre o resultado, o artista diz que espera “inspirar as pessoas que tiverem contato com este meu trabalho a sonhar e poder dizer ‘eu consigo um dia estar lá também'”.

Crica recria Tempestade

Ororo Munroe, conhecida como Tempestade, é descendente de uma antiga linhagem de sacerdotisas africanas, as quais têm cabelos brancos, olhos azuis e o potencial para utilizar magia. A artista paulista Crica Monteiro trouxe as referências de seus grafittis de mulheres negras também de suas pesquisas sobre o afrofuturismo e indumentárias.

“Eu sei que vários artistas já recriaram Tempestade. Descobri que todos eram brancos, então, encarei este processo com muita responsabilidade. Nesta criação eu quis trazer este lugar que já trabalho, que é o lúdico, e fazer um resgate ancestral da personagem com elementos mais modernos”, destaca Crica.

Massai recria Miles Morales

Também chamado de “O Homem-Aranha Original”, Miles Morales é um jovem americano de ascendência porto-riquenha, que passou cinco anos estrelando o Universo Ultimate, da Marvel Comics. De Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, o designer gráfico e ilustrador Massai buscou referências das cores do grafite dos anos 80 e do estilo urbano de Nova York para recriar seu personagem e ficou muito satisfeito com o resultado.

“Ver minha arte ser reconhecida e valorizada é muito gratificante, pois, não foi um caminho fácil chegar até aqui, exigiu muita técnica, dedicação e trabalho”, destaca o artista mineiro.

Luna B Mulheres de Wakanda

Compondo o universo do Pantera Negra, as mulheres de Wakanda são as negras rainhas, princesas, guerreiras, espiãs, ativistas, políticas e até vilãs da nação. Luna B, artista que fez a releitura, nasceu em Teresina, capital do Piauí. Formada em psicologia, busca levar a sensibilidade do olhar e da escuta para as suas obras que retratam silhuetas de figuras femininas muito fortes e marcantes, referências que ela levou para a criação das suas personagens.

“Durante o processo, acabei descobrindo e enxergando em mim também o que eu via nessas mulheres: a coragem de lutar em nome daquilo que acredita”, ressalta a artista nordestina.

DGOH recria Falcão

Apresentado originalmente como um ajudante do Capitão América, nos quadrinhos, Sam Wilson alçou voo fazendo sua própria jornada do herói como Falcão, chegando a assumir o manto de Sentinela da Liberdade. DGOH trouxe as referências dos quadrinhos do antigo Falcão e as novas armaduras de Sam Wilson para dar mais força às armaduras, contornos e cores do personagem.

“Fiquei muito feliz de ter criado impacto com o que proponho fazer. Pensei que, se a Marvel se identifica com o que faço, é porque o que eu faço é poderoso, então, vamos”, revela o artista paulista.

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