4 de dezembro de 2020

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Vinicius Leal – Da Revista Cenarium

MANAUS – O candidato a prefeito de Manaus e ex-governador tampão do Amazonas denunciado em esquemas de corrupção, David Almeida (Avante), decidiu não comparecer nessa quinta-feira, 12, aos debates entre prefeituráveis organizados pelas emissoras de TV A Crítica e Band Amazonas.

A decisão de não comparecer aos debates veio após uma série de reportagens feitas pela REVISTA CENARIUM sobre a suspeita de superfaturamento na gestão de Almeida como governador, sua moradia de luxo no bairro Ponta Negra e depoimento na Operação Maus Caminhos.

De acordo com justificativa, segundo a assessoria do candidato, foi o agravamento do quadro de saúde da mãe de David, que está com Covid-19. Toda a agenda de campanha foi cancelada até esta sexta-feira, 13.

Entretanto, essa não é a primeira vez que o prefeiturável é visto como “faltoso”. Ele não compareceu à Sabatina Técnica entre os candidatos organizada pela REVISTA CENARIUM, quando demais postulantes foram sabatinados sobre diversos temas por representantes dos conselhos de Economia, Engenharia e Administração, da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Amazonas (OAB-AM) e do meio ambiente.

Apurações

Conforme documento emitido pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM). A suspeita é que David Almeida tenha desviado cerca de R$ 7 milhões que seriam destinados a cirurgias em hospitais.

Na denúncia do Ministério Público de Contas do Amazonas (MPC-AM) à época, houve um superfaturamento no valor pago para um pacote de cirurgias do Instituto de Medicina, Estudos e Desenvolvimento (Imed). O órgão ministerial chegou a pedir a imediata suspensão dos serviços levando em conta preços praticados no mercado local. A Secretaria de Saúde pagaria R$ 8,4 milhões ao instituto pelos tais serviços.

Na abertura de investigação, a Corte de Contas decidiu ainda aplicar uma multa de R$ 43,8 mil ao então secretário de Saúde, Vander Rodrigues Alves, “por ato praticado com grave infração à norma legal”. A decisão foi publicada no Diário Oficial do TCE.

Apartamento de luxo

Nascido no bairro Morro da Liberdade, na zona Sul de Manaus, em 1969, o candidato a prefeito da capital David Almeida (Avante) mudou-se para o bairro Ponta Negra, na zona Oeste, depois que se tornou deputado estadual e governador interino do Amazonas (2006 a 2018), fase em que acumulou um patrimônio de mais de R$ 800 mil, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Conforme apurado pela REVISTA CENARIUM, a residência de David no Morro fica “movimentada” em época eleitoral e fora do pleito, a casa fica sob responsabilidade de caseiros e o político mantém estadia no Condomínio Castelli. O imóvel de luxo é avaliado em R$ 1 milhão conforme apuração no mercado de corretores. A assessoria do candidato nada declarou sobre os questionamentos da reportagem a respeito da mudança de endereço.

Maus Caminhos

David Almeida também não compareceu para depor no processo judicial da Operação Maus Caminhos, investigação federal que apontou outros desvios milionários da Saúde no esquema liderado pelo médico e empresário Mouhamad Muostafa.

Na época dos interrogatórios, David seria testemunha de defesa da advogada Priscila Marcolino, uma das condenadas. Nesse tempo da “falta” à Maus Caminhos, David Almeida era deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE/AM) e tinha acabado de assumir interinamente o Governo do Estado após a cassação do então governador José Melo, preso na operação, de quem era líder no parlamento estadual.

Nos registros da ALE-AM, não há notícias de que David, como deputado, questionava a gestão da Saúde, apesar das consecutivas greves de servidores por falta de pagamento no sistema.

Em todos os casos, a assessoria de Almeida foi procurada pela reportagem da REVISTA CENARIUM, mas não se pronunciou.

Confirma matérias:

Leia mais: Documento reforça suspeita de desvio milionário na Saúde durante governo de David Almeida

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