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20 de outubro de 2021
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Com informações do O Globo

BRASÍLIA – Um dia após dizer que o Brasil está “quebrado” e que não pode fazer “nada”, o presidente Jair Bolsonaro ironizou a situação nesta quarta-feira e disse que o país está uma “maravilha”. Bolsonaro também criticou a cobertura da imprensa sobre a sua declaração.

“Confusão ontem, viu? Que eu falei que o Brasil estava quebrado? Não, o Brasil está bem, está uma maravilha”, disse o presidente, rindo, a apoiadores, na saída do Palácio da Alvorada.

A declaração anterior, feita na terça-feira, também foi feita a apoiadores no Alvorada. O presidente colocou a culpa da situação em que vive o país na pandemia de Covid-19 e na imprensa, que, segundo ele, teria “potencializado” o coronavírus.

Ele citou especificamente a alteração na tabela do Imposto de Renda como uma das promessas que não consegue cumprir.

“O Brasil está quebrado. Eu não consigo fazer nada. Eu queria mexer na tabela do Imposto de Renda…Teve esse vírus, potencializado pela mídia que nós temos. Essa mídia sem caráter”, disse na terça-feira.

Durante a campanha eleitoral de 2018, Bolsonaro prometeu insentar o IR de quem ganha até R$ 5 mil. Hoje, o limite de isenção é de R$ 1.903,98. No fim de 2019, propôs uma elevação para R$ 3 mil, mas o plano também não foi adiante.

Mas essa não foi a única promessa não cumprida. Eleito com um programa econômico liberal e reformista, Bolsonaro não conseguiu aprovar reformas estruturais para além das mudanças nas regras de aposentadoria, em 2019.

Tem tido dificuldades para fazer privatizações e controlar as contas públicas. Também pretendia substituir o Bolsa Família por um benefício de valor maior e mais abrangente, batizado de Renda Brasil e depois de Renda Cidadã. Sem espaço fiscal, a ideia não avançou.

Especialistas contestaram a fala do presidente. Disseram que o país vive uma situação de crise fiscal grave, que pode levar à insustentabilidade da dívida pública. Mas está longe de estar quebrado.

Os economistas disseram ainda que cabe ao governo articular com o Congresso a aprovação das reformas necessárias para tirar o país da crise.

Já o ministro da Economia, Paulo Guedes, defendeu a declaração e disse que Bolsonaro se referia ao setor público.

“Ele está se referindo, evidentemente, à situação do setor público, que está numa situação financeira difícil. Porque, depois dos excessos de gastos cometidos por governos anteriores, quando chegou o primeiro governo falando que vai cortar forte, foi fulminado pela pandemia. Nós estamos reconhecendo a dificuldade da situação, mas decididos a enfrentar. Nós vamos seguir com as reformas estruturais. Foi só isso”, disse Guedes, afirmando que compartilha do mesmo diagnóstico do presidente de que a situação do setor público ficou difícil.

Na manhã desta quarta-feira, Bolsonaro convocou uma reunião com a maior parte do seu ministério. Guedes, que estava de férias, interrompeu seu recesso para ir ao encontro, que ocorre no Palácio do Planalto.