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25 de janeiro de 2022
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Victória Sales – Da Revista Cenarium

MANAUS – Assim como em Minas Gerais, o município de Presidente Figueiredo (a 119 quilômetros de Manaus) conta com centenas de cachoeiras e com diversas pedras gigantescas. Para evitar tragédias como a da cidade mineira de Capitólio, que resultou na morte de 10 pessoas, especialistas explicam a importância de um guia de turismo experiente. A equipe de reportagem da CENARIUM foi até o município para conhecer de perto essa realidade.

De acordo com o geógrafo e guia local Judeilson Sousa Trindade, é importante destacar que em Presidente Figueiredo os fenômenos tromba d’água ou cabeça d’água, como o que pode ter causado a tragédia em Minas na semana passada, não corre o risco de acontecer no município, pois PF é uma região plana. A equipe visitou quatro cachoeiras no total, com a autorização e orientação do profissional.

Geógrafo e guia local, Judeilson Sousa Trindade (Ricardo Oliveira/ Cenarium)

Durante o caminho para a cachoeira da Caverna do Maroaga e para a cachoeira da Gruta da Judeia, Judeilson explica que a natureza tem uma conexão diferente com cada viajante. “Uma pessoa que chega aqui e começa a chorar abraçando a árvore, então é preciso entender que é o momento dela se conectando com a natureza, ali é o mais próximo da natureza que a gente consegue ter desse contato. A gente vê tanto a Amazônia ser destruída e, quando você consegue encontrar uma árvore de 250 anos, você fica encantado”, contou.

Questionado sobre os riscos de ir para a cachoeira em período chuvoso, o guia conta que não existe o risco da cachoeira levar a pessoa com a correnteza. “É comum os viajantes chegarem aqui e falarem que encontraram o município pelas redes sociais, mas nunca imaginaram que na região teriam cachoeiras pelo fato de ser tudo plano. A tromba d’água acontece com elevação da temperatura transformando em um redemoinho que forma o fenômeno. Já a cabeça d’água, é cheia centralizada nas cabeceiras dos rios descendo de uma única vez, o que acontece bastante na parte Sul e Sudeste”, explicou.

Durante visita à cachoeira de Iracema, a equipe conversou com a professora Audanize Oliveira, que afirmou que acha o local seguro e com bastante sinalização para que não aconteça nada com os visitantes. “O risco maior aqui é vir sem orientação. Aqui, em Iracema, eu acredito que esse rolamento de pedras não vá acontecer, até pelo fato de ser seguro, a coordenação do lugar orienta as pessoas que se deslocam para a cachoeira. Quando está chovendo, as pessoas não chegam perto da queda d’água, inclusive, com a velocidade da água, a equipe que está à frente do local isolou alguns pontos para que o visitante não se aproxime”, contou.

“Para o Norte, a gente já não tem essas cadeias de elevação de montanhas, especificamente para o Amazonas, mas em Roraima já tem, como na Serra de Tepequém, onde a água acumula e você pode correr o risco de ficar preso”, relata. Judeilson conta ainda que, nas cachoeiras, o perigo maior são com as pedras que acabam ficando muito lisas. Além disso, ele ressalta que 90% dos acidentes que aconteceram em Presidente Figueiredo, mais precisamente nas cachoeiras, foram por imprudência das pessoas que estavam visitando o local sem guia.

Áreas de risco

Nessa terça-feira, 11, a Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur) encaminhou um ofício para os 24 municípios do Amazonas que fazem parte do Mapa do Turismo Brasileiro, solicitando relatórios sobre áreas de risco de desastres naturais em atrativos turísticos como cavernas, cachoeiras e cânions no Estado. O pedido foi feito em razão do episódio que ocorreu em Capitólio, Minas Gerais, no sábado, 8.

Segundo o presidente da Amazonastur, Sérgio Litaiff Filho, a ação é fundamental para garantir o desenvolvimento do turismo seguro no Amazonas. “Nós, secretários e secretárias de turismo, membros do Fornatur, estamos extremamente consternados com a situação ocorrida em Capitólio. A partir dessa reunião com o ministro Gilson Machado Neto, vamos reforçar essa análise, nos respectivos Estados, para que o Ministério do Turismo avalie a melhor forma de contribuir para o desenvolvimento seguro do turismo em cada localidade”, explicou.

Orientação

Em conversa com o geógrafo, ele nos contou sobre a importância de contratar um guia credenciado. “Você que vem aqui pela primeira vez, não conhece nada, não sabe onde pular na água, aí acontece acidentes, e sabendo que tudo isso poderia ser evitado, se você tivesse contratado um guia especializado no local, que poderia te dar mais orientações”, destacou.

“Por isso, é importante sempre que você for para um lugar que não conhece contratar um guia, que possa te dar orientações sobre o lugar que você está indo, principalmente para lugares em que você tenha que lidar com água, pois no caso de Presidente Figueiredo, as pedras e os caminhos podem se tornar um grande inimigo do visitante. Além disso, procure sempre contratar guias credenciados, pois eles estudaram o local, sabem como lidar em casos de emergência, e não somente aquela pessoa que foi uma vez e diz que conhece tudo. O guia sabe o melhor lugar, as melhores cachoeiras para se conhecer, o melhor caminho”, relatou Judeilson.

Contratação

Para quem desejar ir para o município e quiser fazer passeios turísticos no local, pode encontrar Judeilson pelas redes sociais e pelo telefone: (92) 9 9190-5100. Além disso, o geógrafo contou que o município conta com diversos guias credenciados e quem tiver interesse pode procurá-los na sede que fica localizada na entrada da Caverna do Maroaga, na estrada de Balbina, em Presidente Figueiredo.