App de corridas alega discriminação em agressão a passageiro de Manaus; motorista foi bloqueado

Luís Henrique Oliveira – Da Revista Cenarium

MANAUS – Momentos após um passageiro de Manaus denunciar que precisou pular de um veículo em movimento para se salvar de socos e tapas desferidos por um motorista de transporte por aplicativo, a plataforma reconheceu o caso como sendo um ato de ‘violência e discriminação’. A REVISTA CENARIUM publicou a denúncia nesta sexta-feira, 14.

“Nós da 99 lamentamos profundamente esse caso de violência e discriminação. Assim que tomamos conhecimento dessa grave denúncia, banimos o condutor da plataforma. Também mobilizamos uma equipe que está buscando contato com o Clayton para oferecer todo o apoio psicológico e o auxílio em relação ao seguro para cobrir despesas hospitalares”, diz nota da plataforma de transportes.

A empresa continuou o comunicado explicando que o respeito mútuo é obrigatório para utilização do aplicativo. “Repudiamos veemente comportamentos ofensivos, atitudes agressivas ou qualquer forma de desrespeito ou discriminação na plataforma. Por isso, a conduta do passageiro está sendo avaliada e seu perfil também foi bloqueado preventivamente enquanto a polícia realiza as investigações”.

Tolerância zero em relação à crimes de homofobia

Ainda de acordo com a empresa, uma das condições para que novos motoristas parceiros façam parte da plataforma é aceitar a política de tolerância zero em relação ao preconceito LGBTI+ e qualquer outra forma de violência, discriminação ou desrespeito. “Por isso, investimos continuamente em educação”.

“A 99 reitera ainda que está apurando a informação de empréstimo da conta”, finaliza posicionamento enviado à REVISTA CENARIUM.

A denúncia

Na noite de quinta-feira, 14, o passageiro Clayton Oliveira usou seu Instagram para relatar uma agressão sofrida por ele após um motorista questionar sua sexualidade durante uma viagem nas proximidades do bairro Alvorada, Zona Oeste de Manaus.

Ao sair da casa de um amigo no bairro Alvorada, Zona Oeste de Manaus, Clayton solicitou uma viagem pelo aplicativo 99. “Botei minha mala e as minhas coisas atrás do carro e, como de costume e sentei na frente. No meio do caminho ele [motorista] pergunta se eu era gay, disse que sim e então comecei a ser espancado, levando socos e gritos de que ‘viado’ precisa morrer e que eu só sairia de lá morto”, descreveu.

O caso foi registrado no 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP), no bairro Ponta Negra, mesma zona onde o crime ocorreu.

Outro lado

Já o motorista apontado por Clayton como o suspeito publicou um vídeo nas redes sociais em que justifica ter emprestado o aplicativo para um familiar. “Fiquei sabendo pelas redes sociais. Me dirigi à delegacia para esclarecer a situação que não fui eu. Emprestei essa conta para um parente e não sei o que aconteceu até o presente momento”, disse o motorista Júnior Cruz da Silva.

“Estou aqui dando minha cara à tapa para esse rapaz me reconhecer que não fui eu que agredi ele. Tem várias pessoas mandando mensagem para mim no WhatsApp pedindo para eu me tratar, mas não fui eu. Estava trabalhando no momento dessa notícia. Estou aqui abalado também e vim à delegacia para esclarecer isso”, disse o homem.

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