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22 de outubro de 2021
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Com informações do Infoglobo

BRASÍLIA — Os incêndios que se alastram pela Chapada dos Veadeiros, em Goiás, já atingiram cerca de 36 mil hectares até esta quinta-feira. A área destruída, equivalente a 36 mil campos de futebol, é duas vezes maior do que a registrada até segunda, de acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio). Metade do espaço consumido pelas chamas está no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, santuário ecológico e reduto da biodiversidade do Cerrado em Goiás.

Colunas de fumaça dominam a paisagem e deixam o ar mais pesado. Além das altas temperaturas, que se somam ao calor das chamas, a baixa umidade do ar e os fortes ventos contribuem para que os incêndios se espalhem rapidamente. Nessa esteira, as condições ambientais dificultam o trabalho das equipes de brigadistas e bombeiros:

“Isso gera um desgaste físico extremo nos nossos combatentes tanto que nós estamos adotando uma estratégia fortalecer nosso combate noturno para aproveitar, inclusive, o período em que as chamas estão mais baixas. Agora, tem um detalhe: isso também oferece um risco adicional aos nossos brigadistas”, explica o coordenador-geral de proteção do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, Paulo Russo.

Sem uma corporação local de bombeiros na Chapada dos Veadeiros, o trabalho na linha de frente para apagar as chamas cabe, muitas vezes, a brigadistas voluntários. Esse é o caso não só da Brigada Voluntária de São Jorge, mas também da Rede Contra Fogo e da Brigada Voluntária Ambiental de Cavalcante (Brivac), que atuam sem direito a salário e a direitos trabalhistas. Comida, combustível e equipamentos de proteção individual (EPIs) e de combate são custeados pelos grupos e por doações. 

De acordo com o chefe da Brigada Voluntária de São Jorge, Alex Gomes, o fogo ameaça casas na região do Vale do São Miguel. Lá, fica o Vale da Lua, ponto turístico bastante procurado onde começou o fogo em 12 de setembro. Além dele, o parque nacional — prioridade no combate, com duas linhas de fogo principais —, as cachoeiras do Segredo e de Simão Correia e a Ponte de Pedras são os pontos onde as chamas mais preocupam.

“Ele (o incêndio) quer atingir casas de amigos, terrenos de áreas preservadas. É um fogo muito forte, não conseguimos controlar. Conseguimos só orientar a melhor maneira para ele seguir, sem pegar nas casas”, explica Gomes. “É reduzido o número de combatentes e a prioridade é o parque nacional”.

Há locais de difícil acesso, onde são necessários helicópteros para levar combatentes. Segundo o GLOBO apurou, pelo menos seis pessoas se feriram durante os trabalhos. Dentro do parque, há duas linhas de fogo principais.

“A situação está difícil, apesar de bons combates. Existiram novos focos em alguns dias. A questão climática está sendo o desafio: o calor é intenso, com muito fogo e vento”, descreve o coordenador-executivo da Rede Contra Fogo, Amilton Sá.

Ao todo, cerca de 200 pessoas integram as equipes de combate ao fogo. O trabalho conta com o comando unificado do ICMBio e dos militares do Corpo de Bombeiros do Goiás (CBM-GO) e do Distrito Federal (CBM-DF). Além disso, há o apoio do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo) do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama).

“Os focos estão avançando, progredindo. O trabalho de combate ao fogo está sendo feito de maneira combinada: os bombeiros militares e os brigadistas estão nessas frentes de incêndio e três aeronaves do ICMBio lançam água (nos incêndios) desde as 6h e continuam durante o dia todo”, afirma o capitão Luis Antônio Dias Araújo, do Corpo de Bombeiros de Goiás.

Desde segunda, o fogo atinge o parque nacional. A equipe do GLOBO acompanhou os trabalhos de combate aos incêndios na quarta e na quinta-feira passada, quando 14 mil hectares já haviam sido devastados. Na sexta, as equipes conseguiram extinguir as chamas do Vale da Lua e controlar as da Catarata dos Couros, mas ainda havia incêndios em andamento. 

A temporada de queimadas, prevista para iniciar no próximo mês, chegou mais cedo. Ainda não é possível dimensionar os danos para a fauna e a flora da região, que fica em Alto Paraíso de Goiás. As condições climáticas têm prejudicado os trabalhos, mas uma mudança no clima pode dar um alento nos próximos dias:

“A chuva está bem ali. Está ameaçando cair. Se cair, vai acalmar. Tomara que chova o suficiente. Creio que, daqui para amanhã, essa chuva cai e vai resetar. Mas o período crítico dos incêndios vai chegar agora, que é outubro. Vão ser três ou quatro dias de chuva, vai parar e talvez não consiga apagar esses focos”, diz o chefe da Brigada Voluntária de São Jorge.

Saiba como doar

Voluntários têm se organizado para angariar doações, em que o dinheiro é revertido para o trabalho dos brigadistas.

ASJOR

CNPJ: 24.855.264/0001-95

Banco do Brasil

Agência: 4546-2

Conta-corrente: 6405-0.

ASSEJOR

Chave PIX: [email protected]

Contato para enviar comprovante: (62) 99602-3172

Armazém São Jorge

Chave PIX: 07.208.243/0001-69

Contato para enviar comprovante: (61) 99866-9666