6 de março de 2021

Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS – Um “sopro de esperança”. Foi assim que o artista muralista Eduardo Kobra, de 46 anos, chamou o feito realizado por ele, com a ajuda de amigos e conhecidos, de conseguir vender um cilindro de oxigênio inativo que foi reformado e transformado em sua mais nova obra de arte chamada “Respirar”. O recurso adquirido, no valor de R$ 700 mil, irá beneficiar a instalação de duas usinas do elemento químico no Amazonas.

O recipiente foi pintado com uma árvore plantada dentro e foi arrematado pelos voluntários do movimento UniãoBR, após conhecerem a iniciativa por meio da ONE, do Grupo VG. A peça seria colocada pelo artista em um leilão, cujo montante seria doado 100% para instituições que estão sofrendo com a falta de oxigênio. No entanto, com a crise da saúde no Amazonas, os valores foram doados para duas usinas no Estado.

Segundo o artista plástico, as fábricas manterão a produção de oxigênio, de forma constante, para dois hospitais, com estimativa de, o equivalente, a 1,4 mil cilindros por mês. “Sopros de vida e esperança a pacientes de Covid-19”, destacou Kobra. “Na prática, isso significa que serão 20 leitos de UTIs [Unidades de Terapia Intensivas] beneficiados 24 horas por dia, numa ação perene, que ficará como legado para a cidade. Em um dia, a usina vai gerar 480 horas de oxigênio. Em um mês, serão 14.400 horas”, acrescentou.

Obra de arte “Respirar” deve ser exibida em São Paulo (Reprodução/Divulgação)

Alerta ambiental

Para o artista, além de expor a dor da pandemia, a obra também é um alerta para a questão ambiental da Amazônia e deve ser instalada em um espaço público de São Paulo. “A mensagem principal é a importância da vida. Que o sopro da minha arte ajude a levar um pouco de oxigênio para os hospitais mais necessitados”, salientou o muralista, que defende ao mesmo tempo o uso de máscaras, o isolamento social contra a Covid-19.

Conforme a assessoria de Eduardo Kobra, os recursos obtidos com a venda da peça serão aplicados integralmente na instalação de duas usinas de oxigênio, em Alvarães e Itacoatiara, no interior do Amazonas, que ainda nesta semana, entre 9 e 12 de fevereiro, começam a operar.

Expoente da neovanguarda paulistana, Kobra iniciou a carreira artística em 1987, como pichador, tornando-se grafiteiro e hoje, muralista, por conta de duas pinturas em mural. Internacionalmente, o artista é reconhecido pelas obras “A Lenda do Brasil” e “A Mão de Deus”.

Em 2018, Eduardo Kobra chegou a pintar um mural em um prédio de Nova York, Estados Unidos, para homenagear os bombeiros que trabalharam nos ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001, que completava 17 anos à época. A obra foi baseada em uma foto de um bombeiro que repercutiu após a queda das Torres Gêmeas.

Mural de Eduardo Kobra em Nova York (Reprodução/Instagram/kobrastreetart)

Instituto Kobra

A ação de arrecadação para ajudar a crise na saúde do Amazonas é a primeira ação do Instituto Kobra. A entidade defende a arte como instrumento de transformação social de adolescentes e jovens em Estado de vulnerabilidade no Brasil. Fundada e presidida pelo artista Eduardo Kobra, a instituição parte da própria biografia de seu criador para fundamentar a importância e o papel da cultura como agente transformador de vidas e realidades.

Segundo o instituto, um dos compromissos é o de promover ações, prioritariamente em comunidades periféricas, levando manifestações artísticas, não somente das artes plásticas e do grafite, mas também da música, do teatro e da literatura, para aqueles que costumam ter menos acesso a museus e centros culturais.