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19 de novembro de 2021
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Priscilla Peixoto – Da Revista Cenarium

MANAUS – Com 26 anos e pertencente à etnia Tikuna, Ronaldo Predador, indígena nascido na aldeia Ewari, localizada na ilha do Camaleão no município de Anamã (a 165 quilômetros de Manaus), aos poucos, tem se tornado referência no esporte no Amazonas.

Ronaldo, que em Tikuna é chamado de Waiyee’ cü, que significa “aquele que vive no curral”, é o primeiro integrante de povos tradicionais a competir nas Artes Marciais Mistas, tradicionalmente conhecidas como MMA.

“Apesar de ser uma luta, quero fazer dessa arte uma bandeira de paz para minha aldeia. Quero mostrar que nós podemos sim mudar, lutar e aprender. Minha luta é pelo meu povo e por mim”, diz o atleta que já está com presença confirmada para dois eventos e de MMA realizados nos meses novembro e dezembro deste ano.

No dia 26 de novembro, o lutador indígena disputa o Campeonato de MMA Jungle Fight, que ocorre em São Paulo. No dia 9 de dezembro, ele também participa do Campeonato Amazon Talent, realizado em Manaus. As duas programações são consideradas por ele, um trampolim para o reconhecimento.

“Minha luta é pelo meu povo e por mim”, declara Ronaldo Predador (Reprodução/Arquivo pessoal)

Esporte

Ronaldo, que sempre foi amante do futebol, sonhava em ser em ser jogador profissional de times nacionais. Passou por breves experiências em times como Rio Negro, mas segundo o atleta, as dificuldades e contratempos durante a trajetória fizeram com que o sonho de ser um jogador de sucesso ficassem de lado.

“A minha vida foi só esportes, eu queria ser uma atleta do futebol, jogar em grande clubes, mas não foi como eu esperava, tive que parar. Aqui eu conheci minha esposa que também e da etnia Tikuna, fomos para a Amaturá (distante 907 quilômetros de Manaus) e foi lá que tive o primeiro contato com o MMA”, relembra a lutador.

Combate e dificuldades

Ao se dedicar e investir nos treinos por curiosidade, o indígena acabou se tornando o campeão da primeira edição do evento Star Combat na categoria MMA realizado no mês de maio deste ano em Manaus. Mas apesar da carreira promissora, Ronaldo conta que ainda está longe dos padrões de treinos e rotinas exigidos para um atleta.

Há dez meses em Manaus, o atleta pede apoio para continuar investindo na carreira (Reprodução/ Arquivo pessoal)

Há dez meses morando na capital amazonense, o lutador está em busca de melhores condições e de pessoas que queiram investir no segmento esportivo. Atualmente ele conta com o apoio da Fundação Estadual do Índio (FEI) e com um único patrocínio que, segundo ele, ainda não é o suficiente diante das obrigações enquanto atleta e chefe de família.

“Tenho apoio da FEI, divulgando meu trabalho e patrocínio da TacWay, que é de onde consigo pagar meu aluguel. Mas, fora isso, preciso de transporte, cuidados médicos, uma academia que me ajude a perder ou ganhar peso por conta dos padrões das disputas. Às vezes, deixo de ir para os treinos, pois não tenho dinheiro para o ônibus. Apesar da ajuda que tenho, e sou grato por ela, ainda é pouco para focar só no treino que é meu trabalho, para que eu possa realizar as lutas com qualidade. Não tem sido fácil, mas desistir, jamais. Peço ajuda, patrocínio, toda força é bem vinda”, explica o atleta.