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23 de janeiro de 2022
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Danilo Alves e Marcela Leiros – Da Revista Cenarium

BELÉM e MANAUS – O aumento de preços anunciado pela Petrobras já é sentido por distribuidoras e empresas na Amazônia. Os preços também preocupa quem terá o lucro afetado pelo reajuste da gasolina, diesel e gás de cozinha. A CENARIUM foi às ruas de Belém e Manaus nesta quarta-feira, 7, para verificar se o reajuste nas refinarias já afeta consumidores.

Manaus

Posto de combustível na avenida Álvaro Maia, no bairro Praça 14, zona Sul de Manaus (Ricardo Oliveira/Revista Cenarium)

Em Manaus, o valor da gasolina permanecia R$ 5,59 o litro nos três lugares visitados. O diesel também se mantinha no valor de R$ 4,39. De acordo com o proprietário de um dos estabelecimentos, que não quis se identificar, não houve alteração nos valores e ainda não foi repassada nenhuma informação quanto ao possível aumento. “Inclusive, tive que reduzir a gasolina para R$ 5,39 porque o movimento estava baixo”, disse o proprietário de um posto localizado na avenida Álvaro Maia, no bairro Praça 14, zona Sul de Manaus.

Belém

Em alguns postos da capital paraense, a gasolina já estava sendo vendida a R$ 6 reais o litro. Nos estabelecimentos que ofereciam pagamentos com cartão de crédito, o consumidor pode pagar até 20 centavos a mais pelo combustível. Alguns dos principais postos de Belém se concentram na região da rodovia BR-316, e por lá, há grande variação de preços. Em um dos pontos de abastecimento, a gasolina era vendida a R$ 5,89, apenas no dinheiro, até o início da semana.

O gerente do estabelecimento, Daniel Freitas Jr, diz que houve aumento na demanda de combustível devido às férias de julho aqui no Pará. “Mesmo com a pandemia, as famílias estão saindo da capital para pegar a estrada e normalmente eles abastecem aqui pela BR-316 e todos sabemos que o tamanho continental de nosso Estado prejudica a logística para a distribuição desse produto, por isso infelizmente é preciso reajustar”, explicou o gerente.

Posto de combustíveis no Pará (Danilo Alves/Revista Cenarium)

Gás de cozinha

O aumento no preço do gás de cozinha preocupa os consumidores que dependem de cada valor para obter a renda. É o caso da confeiteira Suelem Freitas, proprietária da “Brigadeiros Gourmet da Suelem”, que se preocupa de que forma o aumento afetará o custo da produção e venda dos doces. Na casa dela, onde são produzidos os doces, também funciona uma tacacaria. São utilizadas em média duas botijas de 13 kg por mês, e o valor pago já chega a R$ 100 a unidade.

“A minha preocupação é como isso vai afetar a minha lucratividade. Eu vendo a preço de baixo custo e os produtos que uso são caros. Ainda não fiz uma análise de como isso vai afetar no custo, e como vai ficar o percentual da lucratividade. Se tiver um aumento, os clientes vão questionar. Tenho projetos de investir no meu negócio, mas como vou investir com outro aumento?”, questiona a microempresária.

Levantamento da CENARIUM em Manaus, ainda indicou que o preço médio da botija do gás de cozinha de 5 kg está R$ 49,50, e a botija de 8 kg está R$ 69,40. Além disso, o recipiente cheio de 10 kg já custa R$ 79,60, bem como a de 13 kg, que alcançou o patamar de R$ 94,75.

A microempresária Suelem Freitas tem receio de como o aumento impactará nos custos e lucro (Reprodução/Arquivo Pessoal)

Política internacional

O Sindicato dos Petroleiros do Estado do Amazonas (Sindipetro/AM) se posicionou sobre mais o aumento, o oitavo desde o início do ano e o primeiro da gestão do general Joaquim Silva e Luna. De acordo com o coordenador do sindicato, Marcus Ribeiro, as constantes mudanças nos valores são resultados de uma política de preço baseada no mercado internacional e esta prática já tem sido denunciada pelos petroleiros.

“O Sindipetro, junto com a nossa federação, a Federação Única dos Petroleiros, já vem denunciando essa prática feita pela atual gestão da Petrobras em relação à política de preço. Hoje, a atual gestão da Petrobras vem aplicando preço internacional, a paridade com o mercado internacional. Na nossa avaliação, isso é uma contradição, porque a Petrobras é uma grande empresa que tem a capacidade de abastecer o mercado interno sem se pautar com o mercado internacional”, disse Ribeiro.

Efeito Dominó

Atualmente, o estado do Pará está em 15ª posição dos estados com gasolina mais cara no Brasil. Para o Sindicombustíveis-PA, a colocação do Estado na média de preço é positiva, em especial quando se verifica que a alíquota do ICMS é uma das mais altas do País, bem como que o frete possui um impacto muito grande no preço final. Mesmo assim, não se encontra entre as mais caras.

Além disso, em nível estadual, na última semana houve também o aumento do “preço de pauta” (PMPF) que é o valor utilizado como base para o cálculo do ICMS no estado, o que eleva o imposto estadual pago sobre o combustível.

Nos primeiros seis meses de 2021, conforme o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) do Pará, a gasolina já aumentou 46%, o Diesel e o GLP, cerca de 40%. Ainda não é possível mensurar o valor total de prejuízo para o consumidor, mas já é possível ver efeito cascata, que ocorre quando outros produtos podem ser afetados por conta desse novo reajuste.

“Agora veja você, com três dos produtos mais caros, o frete que transporta alimentos como arroz, feijão, a maioria importados de outros estados, já podem vir à mesa dos paraenses mais caro nos próximos dias. Além da cesta básica, o preço nos transporte coletivo também pode aumentar”, explicou Roberto sena, presidente do Dieese.

Preços

A estatal informou que o GLP aumentará R$ 3,60 por quilograma (kg), refletindo um aumento médio de R$ 0,20 por kg. Já a gasolina aumenta, em média, R$ 0,16 (6,3%), fazendo com que o litro do combustível saia de R$ 2,53 e chegue a R$ 2,69. O diesel tem média de R$ 0,10 (3,7%) por litro, e passa a custar R$ 2,81 nas refinarias da Petrobras.

O aumento pode não parecer grande, porém impacta no preço final, já que das refinarias aos distribuidores e, por final, aos consumidores, os preços são acrescidos de impostos, custos para a mistura obrigatória de biocombustível, margem de lucro de distribuidoras e revendedoras, entre outros.

O presidente do Dieese completou que o principal fator da elevação recente dos preços na refinaria se dá, porque a Petrobras adota a política de igualdade valores com o mercado internacional de petróleo, “É preciso também entender sobre o valor real desses produtos. Por exemplo, os preços de gás de cozinha, podem variar de 80 á 110 reais, dependendo da região do estado”, finalizou.