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16 de setembro de 2021
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Bruno Pacheco – Da Cenarium

MANAUS – O Conselho de Saúde Indígena Yanomami e Ye’kuanna (Condisi-YY) denunciou nesta sexta-feira, 30, que um indígena, de 25 anos, identificado como Edgar Yanomami, morreu após ser atropelado por um avião comandado por garimpeiros em uma pista na comunidade Homoxi, Terra Indígena Yanomami, no município de Iracema, interior de Roraima.

O caso ocorreu na quarta-feira, 28, por volta das 14h30. Segundo ofício assinado pelo presidente do Condisi-YY, Júnior Hekurari Yanomami, cobrando providências de autoridades, os garimpeiros retornaram de helicóptero ao local após o acidente, levando o corpo do jovem, a esposa e os filhos para a comunidade Yamasipiu, na região do Haxiú, localizada no município de Alto Alegre, também em Roraima.

“O presidente deste conselho esteve na localidade nesta quinta-feira (29/07), no intuito de fazer a oitiva com os indígenas da localidade, foi relatado que o piloto chamado de ‘Marreco’ estava acompanhado por outro piloto, e que atropelou o indígena na intenção de matar”, diz trecho do ofício.

Para o conselho, que classificou a morte como “homicídio”, o atropelamento ataca as mais sensíveis liberdades individuais do povo Yanomami, numa estratégia deliberada e sistemática de silenciamento e intimidação dos indígenas, que buscam resistir à destruição do seu modo de vida pela invasão do seu território por garimpeiros ilegais.

“Este episódio trágico e extremo se soma a muitos outros nos mais diferentes contextos, e conforme expressamente apontado em diversos ofícios encaminhados por este conselho, para as instituições representantes mostrou-se que a provocação destas instituições não se converteu em medidas efetivas para sequer minimizar o problema da invasão da Terra Indígena Yanomami por criminosos”, continua o comunicado do conselho.

Ataques

Indígenas Yanomamis vêm sofrendo ataques de garimpeiros desde maio deste ano. Somente neste mês, dois casos foram registrados pelo vice-presidente da associação Hutukara e o Conselho de Saúde Indígena Yanomami e Ye’kuanna (Condisi-Y), Dário Yanomami, nas comunidade de Palimiú e do Korekorema, que ficam na região de Palimiú, na Terra Indígena Yanomami, em Roraima.

Em junho deste ano, a Polícia Federal deflagrou a “Operação Omama” para retirar os garimpeiros da Terra Indígena e desenvolver ações de combate à mineração ilegal na região. Mesmo após as ações da PF, indígenas continuam relatando novos casos de invasões por parte de garimpeiros.

“As estratégias de desintrusão do Território Yanomami mediante a utilização das forças de segurança do Estado se mostrou mais uma vez infrutífera, e que os invasores articulam novas invasões, como a que se intenta rumo à região do Palimiú, com notório poder de articulação, financiados por compradores de ouro ilegal, inclusive com influência sobre o meio político”, salienta o Condisi-YY nesta sexta-feira, em ofício.

O documento foi enviado à Polícia Federal, à Frente de Proteção Etnoambiental Yanomami e Ye’kuana da Fundação Nacional do Índio (Funai), à Polícia Civil, ao Ministério Público Federal, ao Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami e Secretaria Especial de Saúde Indígena.