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6 de maio de 2021

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Caroline Viegas – Da Revista Cenarium

MANAUS – Apesar de contribuir para o sucesso de tantas marcas e empresas durante a pandemia do coronavírus, o YouTube também se tornou um forte aliado das mães que recorreram à plataforma para conter a ociosidade dos filhos. Mas, assim como a plataforma auxilia para o entretenimento da criançada, também tem forte influência no comportamento e na linguagem dos pequeninos.

A empresária Daleth Menezes afirma que a filha de 3 anos, Maria Isis, passou a ter linguagens incomuns dentro de casa depois que passou a assistir vídeos no YouTube com mais frequência. “No início, ela assistia a uns vídeos que influenciavam demais de forma negativa. Ela começou a falar de forma tola, reproduzia exatamente os vídeos que ensinavam a criança a falar como um bebezinho. Desde então a gente começou a filtrar e cortar certos conteúdos”, contou Daleth.

Para a psicóloga Laena Portela, essa mudança de comportamento acontece porque a linguagem infantil é construída de forma sensorial. “A criança percebe o mundo por meio dos seus cinco sentidos: o que vê, toca, sente, cheira e prova. E a partir disso elabora a sua forma de expressar, o que interpretou dos sentidos dos estímulos do mundo externo”, relata Portela.

Na visão técnica do fonoaudiólogo Rian Ramalho, o YouTube é capaz de influenciar não somente a linguagem, mas também a própria voz da criança. “Considerando que hoje existem muitos youtubers que produzem conteúdo infantil, quando a criança migra do desenho e passa a assistir com mais frequência esses canais, ela tende a mudar até mesmo o tom da voz. É sim um estímulo vocal. Isso porque a criança reproduz o que ou quem assiste, naturalmente vai imitar aquele que influenciador”, afirma o profissional.

De acordo com Luana, é muito importante que os pais e responsáveis utilizem os recursos já oferecidos pela maioria das redes sociais para monitorar o que os filhos consomem (Reprodução/ Arquivo pessoal)

Ensinamentos do bem

O Youtube hoje é a segunda maior rede social do mundo, ficando atrás somente do Google. Com mais de dois bilhões de usuários acessando, a plataforma conta também com centenas de youtubers infantis que produzem conteúdos voltados exclusivamente para os pequeninos. Com a pandemia, sem ir à escola e sem encontrar os amigos, os filhos passaram a se distrair consumindo mais vídeos desses perfis. Conforme a mãe de Maria Isis, “não foi de todo, mal”.

“Assim como coisinhas ruins, ela também aprendeu muitas coisas boas. Outro dia o meu pai e minha irmã falaram algo não tão legal, então ela disse que aquilo não eram “regras de conduta”. Aí ela contou que assistiu a um vídeo que ensinava essas regras de condutas”, disse a mãe da menina. Conforme Daleth, acompanhar os filhos, monitorar o que eles estão consumindo na plataforma é de extrema importância. “Porque assim como pode influenciar para o mal, essa rede social também pode auxiliar nós, mães, a repassar alguns aprendizados”, opinou a empresária.

Como reforça a psicóloga Laena, os estímulos das telas, quando bem orientados, podem ter essa influência positiva no desenvolvimento da linguagem e comportamental das crianças. Desenvolvendo a criatividade, sociabilidade, expressão de emoções e novas formas de aprendizados.

“O grande cuidado dos pais e responsáveis é monitorar quais os estímulos externos que chegam até as crianças, uma vez que elas não têm autonomia na construção da sua linguagem. É um processo natural, ela absorve tudo ao seu redor e interpreta no automático. Se a criança assiste a conteúdos não apropriados para a sua idade nas telas, naturalmente irá procurar sentidos para isso”, finaliza.