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24 de novembro de 2021
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Com informações do InfoGlobo

O crescente interesse de brasileiros por Portugal pode irrigar o mercado paralelo da imigração ilegal. Um exemplo recente acaba de ser divulgado. Uma fonte do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) confirmou ao site de notícias Portugal Giro que o bispo brasileiro de uma igreja evangélica, é suspeito de usar a instituição como possível fachada para a imigração ilegal.

Sob a coordenação do Departamento de Investigação e Ação Penal (Diap), órgão do Ministério Público, a investigação do SEF chegou esta tarde à etapa de cumprimento de sete mandados de busca em domicílios e veículos. Em um dos locais de culto, há bandeiras do Brasil, Portugal e Israel.

A operação apreendeu telefones, documentos e uma quantia em dinheiro. O bispo foi indiciado por suspeita da prática reiterada de crimes de auxílio à imigração ilegal. Por meio de uma congregação no Seixal, na Área Metropolitana de Lisboa, o bispo comandava´, desde 2018, um sistema de captação de dezenas de brasileiros com a ajuda da sua companheira, contou a fonte do SEF.

Falsos ministros

Ele tem cidadania portuguesa e alguma facilidade para agilizar a entrada de alegados ministros junto ao SEF. Isso acontecia porque, segundo a fonte informou, a legislação que rege as diretrizes do órgão respeitaria a liberdade de culto.

“O bispo trouxe para Portugal, desde 2018, dezenas de alegados ministros do culto, beneficiando das facilidades legais para esse efeito”, informa o comunicado.

Porém, depois que chegavam a Portugal, estes imigrantes brasileiros, que entraram no país na pele de falsos ministros, eram direcionados para trabalhos diversos, supostamente onde falta mão de obra e que sequer estariam conectados às atividades evangélicas. Assim, explicou a fonte, a manobra se torna ilegal.

Pior: os brasileiros pagavam ao bispo “elevadas quantias monetárias”, diz o comunicado, pelo serviço de regularização junto ao SEF:

“Já em território nacional, os alegados ministros da igreja obtiveram, com a sua ajuda e a troco de elevadas quantias monetárias, a regularização junto do SEF e passaram a dedicar-se a outras atividades que nada têm a ver com a vida evangélica”.

A única ligação dos imigrantes com a igreja, pelo que indica a investigação do SEF, eram as supostas bases missionárias nas quais eram instalados em condições inabitáveis. E pagavam, mensalmente, mais € 300 (R$ 1,8 mil) cada um por um quarto, assegura o órgão:

“Instalou os cidadãos estrangeiros em supostas bases missionárias da igreja e com inadequadas condições de habitabilidade”. O SEF ainda não respondeu sobre o que acontecerá aos imigrantes ilegais. Nem pôde dar mais detalhes porque a investigação seguirá em curso.