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4 de dezembro de 2021
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Com informações do Infoglobo

BRASÍLIA — O presidente Jair Bolsonaro revogou na sexta-feira (5) a homenagem que havia feito a dois pesquisadores brasileiros. Um deles, Marcus Lacerda, fez o primeiro estudo a demonstrar a ineficácia da cloroquina no tratamento contra a Covid-19. A outra, Adele Benzaken, já foi diretora do departamento de HIV/Aids do Ministério da Saúde, mas foi exonerada no início do governo Bolsonaro

Bolsonaro, que é defensor do uso da cloroquina, havia admitido os dois na Ordem Nacional do Mérito Científico, em um decreto publicado na quinta-feira (4). Outras autoridades e pesquisadores também foram homenageados. Além disso, Bolsonaro admitiu a si mesmo como “grão-mestre” da ordem, algo que já está previsto no regulamento da condecoração.

Entretanto, outro decreto, publicado nesta sexta-feira, em edição extra do DOU, revogou a homenagem a Lacerda e Benzaken.

A Ordem do Mérito Científico tem como finalidade homenagear personalidades que “se distinguiram por suas relevantes contribuições prestadas à Ciência, à Tecnologia e à Inovação”.

A admissão na ordem é prerrogativa do presidente da República, que avalia nomes apresentados pelo ministro das Relações Exteriores. A indicação precisa ter recebido parecer favorável do Conselho da Ordem — formado pelo chanceler e pelos ministros da Ciência e Tecnologia, da Economia e da Educação.

Podem apresentar sugestões ao chanceler, membros do próprio conselho, a Academia Brasileira de Ciências ou “autoridade da área da ciência, tecnologia e inovação”.

Presidente criticou estudo

Em março de 2020, no início da pandemia da Covid-19, Lacerda conduziu um estudo clínico que mostrou que as doses de cloroquina que, normalmente, funcionam em pacientes com malária e lúpus — destinação original do medicamento — não funcionavam para a Covid-19, e que, sob doses maiores, a cloroquina provocava arritmia cardíaca.

Após a repercussão do estudo, o infectologista passou a sofrer ameaças e teve que andar com seguranças. A pesquisa foi criticada pelo próprio Bolsonaro. “Espero que a experiência de Manaus, com doses cavalares de hidroxicloroquina, seja completamente desnudada pelos senadores”, disse o presidente em maio deste ano, sugerindo que a recém-instalada CPI da Covid investigasse o assunto.

Ao falar em “doses cavalares”, Bolsonaro referiu-se à crítica de que a pesquisa teria utilizado doses de cloroquina além do nível recomendado, o que teria levado à morte os pacientes. Entretanto, o estudo, que foi publicado na prestigiada revista científica Journal of the American Medical Association (Jama), mostrou que os trabalhos foram interrompidos bem antes da ocorrência dos óbitos.

Exoneração por cartilha

Benzaken, por sua vez, foi exonerada em janeiro de 2019 da diretoria do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais (DIAHV), cargo que ela ocupava desde junho de 2016.

Na época, o ministério informou que a saída havia sido um entendimento entre as duas partes. Benzaken, contudo, alegou na época que a demissão foi causada por uma cartilha destinada para homens trans. “Não foi de comum acordo. Ficou muito claro que a exoneração era por conta da cartilha”, afirmou ela, na ocasião.

De acordo com a ex-diretora, houve uma ordem para retirar o documento do ar, que foi cumprida. Entretanto, ela conta ter sofrido uma cobrança, porque ainda era possível encontrar a cartilha na internet, bem como notícias sobre a distribuição do material nos estados.