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30 de julho de 2021
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Com informações da Folhapress

BUENOS AIRES, ARGENTINA – Em uma reunião virtual marcada pela fricção entre as partes e uma transmissão fragmentada, Brasil e Argentina se enfrentaram nesta quinta-feira, 8, e deixaram claras suas diferenças a respeito da redução da Tarifa Externa Comum (TEC) e da flexibilização de regras comerciais do Mercosul.

Brasil e Uruguai defendem uma redução radical da tarifa, enquanto a Argentina prefere uma redução gradual e menor, evitando aplicá-la ao setor industrial, pelo menos até janeiro. O Brasil insiste que o bloco deixe de ser guiado por “questões ideológicas”.

A Argentina também se opõe à proposta lançada pelo Uruguai, e que conta com apoio dos demais países, de que os membros do Mercosul sejam liberados para negociar tratados comerciais de forma independente. Outro ponto de atrito entre os participantes é a necessidade de que qualquer alteração no acordo seja feito por consenso.

O Brasil assume agora a presidência pro-tempore do bloco. Nos últimos seis meses o cargo estava com a Argentina. Em seu discurso, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, afirmou que no mandato argentino “não se avançou na modernização” do Mercosul, e que não seria possível deixar que o bloco “continue sendo sinônimo de ineficiência”.

“Precisamos superar essa imagem negativa”, afirmou. Também defendeu a eliminação de tarifas. “Queremos e conseguiremos uma economia mais integrada ao mundo. Não podemos patinar na consecução desses objetivos, precisamos dar entregas à população, eliminar entraves e entregar produtos mais baratos”, afirmou.

Para o mandatário brasileiro, a persistência de impasses e a necessidade de consenso para mudanças nas regras do Mercosul são um problema, especialmente quando países associados têm o que chamou de “visões arcaicas” sobre a natureza do bloco e sobre o protecionismo -um claro recado para a posição argentina a respeito das propostas.

“Isso alimenta sentimentos de ceticismo no mercado internacional”, disse. Bolsonaro criticou mais uma vez a Argentina, dizendo que “o semestre que se encerrou não apresentou resultados concretos”. O presidente ainda cometeu uma gafe no início de sua fala. Ao referir-se à “presidência brasileira” do bloco, disse “pandemia brasileira”.

O encontro virtual teve como anfitriã a Argentina. O presidente do País, Alberto Fernández, abriu o encontro com uma transmissão a partir da Casa Rosada lembrando os 30 anos do bloco, celebrados neste ano, e evocando as suas “regras fundacionais”.

“São regras, e abandonar o consenso entre os países para negociar por fora significa descumprir as regras”, disse. Ele se referia à decisão manifestada pelo governo uruguaio, nesta quarta-feira, 7, de buscar acordos fora do Mercosul, embora sem abandonar o bloco.

Já o presidente Bolsonaro cutucou a Argentina a respeito da final da Copa América, quando o País encara o Brasil. “Queria dizer que a única rivalidade entre Brasil e Argentina nós vamos ver no próximo sábado no Maracanã. E vou adiantar o resultado, vai ser 5 a 0”, disse.

O Itamaraty deve conduzir os trabalhos da presidência brasileira do Mercosul num cenário desafiador. Resistência da Argentina na reforma da TEC de um lado e promessa do Uruguai de negociar de forma independente do outro.

Nesse quadro, o embaixador Pedro Miguel da Costa e Silva, secretário de negociações bilaterais das Américas no Itamaraty, reconhece que Brasil e Argentina têm “visões distintas no Mercosul sobre vários assuntos” e que essa é a realidade atual no bloco. No entanto, ele ressalta que o Brasil deve buscar, na presidência rotativa, pontos de consenso para avançar na agenda conjunta dos quatro países.