Participe do nosso grupo no Whatsapp Participe do nosso grupo no Telegram
29 de janeiro de 2022
Ainda não é assinante
Cenarium? Assine já!
ASSINE

Com informações do Yahoo

SÃO PAULO – O presidente Jair Bolsonaro (Sem partido) voltou a repetir informações falsas sobre a origem dos incêndios na Amazônia. Em entrevista ao programa ‘Agora com Lacombe’, da RedeTV!, Bolsonaro disse que “floresta úmida não pega fogo”, o que não é verdade.

Não é a primeira vez que o presidente do Brasil reproduz a alegação falsa. Na ocasião da viagem do mandatário brasileiro a Dubai, nos Emirados Árabes, a reportagem do Yahoo! Notícias verificou que Bolsonaro também tentou mascarar os números recordes de queimadas e desmatamento que a Região Amazônica vem enfrentando sob seu governo.

Na entrevista veiculada na quinta-feira, 25, no canal da emissora paulista, Bolsonaro afirmou: “Eu falei uma coisa que foi ironizada. A floresta úmida não pega fogo, pega o entorno”.

O argumento falso de que a Amazônia não pega fogo é recorrente na fala de Bolsonaro. A afirmação não tem base científica, além de contrariar os índices de queimadas da região e enganar, ao não reconhecer os avanços do desmatamento e dos incêndios na região.

Relatório divulgado este mês, pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mostrou que os índices de desmatamento na Amazônia Legal Brasileira (ALB) ficaram em 13.235 quilômetros quadrados, no período de 1 de agosto de 2020 a 31 de julho de 2021. A taxa é calculada pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), esse número representa um aumento de 21,97% quando comparado com o período anterior.

Registro mostra desmatamento avançando na Amazônia. (Divulgação)

De acordo com o mapeamento do Inpe, os estados do Pará, Amazonas, Mato Grosso e Rondônia correspondem a 87,25% do desmatamento estimado na Amazônia Legal, sendo o Pará o estado com maior contribuição absoluta de desmatamento (5.257 km2).

Artigo publicado na revista Nature, em setembro deste ano, revela que o relaxamento das políticas de fiscalização ambiental é o principal responsável pelo aumento do desmatamento na Amazônia brasileira. Em carta publicada no site da revista Science, em setembro do ano passado, pesquisadores do Inpe, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Universidade de Estocolmo, apontaram que, entre 2019 e 2020, parte significativa das queimadas e do desmatamento na Amazônia estava ligada a médios e grandes fazendeiros e não a pequenos agricultores.

Segundo o Greenpeace, desde que Bolsonaro assumiu o cargo de presidente, há três anos, foi observado um aumento de 52,9% em área desmatada da Amazônia, em comparação com a média dos três anos anteriores (2016 a 2018). A organização calcula que os estados do Pará, Amazonas, Mato Grosso e Rondônia foram responsáveis por 87,25% do desmatamento na Amazônia Legal.