Participe do nosso grupo no Whatsapp Participe do nosso grupo no Telegram
3 de dezembro de 2021
Ainda não é assinante
Cenarium? Assine já!
ASSINE
image/svg+xml

Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS – O Brasil registrou neste sábado, 8, 100.240 mortes decorrentes da pandemia do novo Coronavírus, doença que causa a Covid-19. A marca de mais de 100 mil vítimas pela doença, reflexo da indiferença do presidente Jair Messias Bolsonaro (sem partido), surge menos de dois meses depois que o país registrou 50 mil óbitos.

Vidas levadas por uma doença que deixou um rastro de tristeza e dor por onde passou e provocou conflitos internos no Ministério da Saúde, que está sem ministro desde o dia 15 de maio, há exatos 85 dias, quando Nelson Teich pediu exoneração do cargo e o presidente Bolsonaro designou, de forma interina, o general Eduardo Pazuello para a pasta, mesmo ele não tendo formação na área.

No país, são 2.988.796 de infectados, segundo levantamento do consórcio de veículos de imprensa (O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo, O Globo, G1 e Extra) a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde.

Histórias perdidas

Famílias enlutadas que perderam seus entes queridos relembram, em palavras emocionadas, histórias de seus familiares, como a de Angela Araújo, cuja mãe Marlene Sales Araújo, de 77 anos, morreu em junho deste ano, após complicações causadas pela pandemia.

“Foram 77 anos de bênçãos. Na bondade dos seus gestos, transparecia a paz de seu coração. Viveu para servir as pessoas, não foi à toa que se formou como Técnica de Enfermagem. Mãe, esposa, avó, profissional de saúde, mulher guerreira, vencedora, e que conseguiu plantar, no coração das pessoas que tiveram o privilégio de conviver com ela, o significado de ajudar e cuidar de pessoas. Ela plantou o bem, construiu uma história e deixou um legado de bondade”, disse Ângela, em depoimento colhido pelo site Inumeráveis.

Marlene, natural de Manaus, no Amazonas, era a representação do amor. Para os netos, era uma mãe, a rainha da família. “Nossa Rainha não morreu, mas abrigou-se em nossos corações sob a forma de amor, Cristo nos deu o direito de usufruir desta crença”, declarou uma das netas de Marlene.

Em São Paulo de Olivença (a 975 quilômetros de Manaus), a Covid-19 vitimou o amazonense Valcileno Ataíde Reis, aos 44 anos, em julho de 2020. Segundo Geiciane Ribeiro disse ao Inumeráveis, que carinhosamente chamava o amigo de Leno ou Leninho, por muitos ele animou as noite paulivenses, tocando seu teclados encantando com sua melodia.

Na última quinta-feira, 8, o professor de educação Física, Leonardo Oliveira, morreu em Manaus, também por complicações decorrentes da Covid-19. A morte do educador fez a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS/AM) divulgar nota sobre o caso, em meio ao polêmico retorno das aulas na rede estadual de ensino da capital, que ocorre a partir da próxima na segunda-feira, 10.

O professor de educação Física, Leonardo Oliveira, morreu em Manaus por complicações decorrentes da Covid-19, mesmo o presidente Bolsonaro falando que atletas eram resistentes ao novo Coronavírus (Divulgação)

Segundo a FVS/AM, o professor, que é da rede particular de ensino em Manaus, faleceu por complicações decorrentes de Covid-19, após apresentar neoplasia pulmonar (câncer pulmonar) com metástase.

“O professor estava internado desde o dia 7 de junho em um hospital privado. A FVS-AM informa, também, que as aulas da rede particular só iniciaram no dia 6 de julho, quando o referido profissional já estava internado há um mês. Portanto, o óbito não tem relação com o reinício das atividades escolares na rede particular de ensino de Manaus”, esclareceu a fundação.

Contra-indicações

Jair Bolsonaro, mesmo sem comprovação científica, defende o uso medicamento hidroxicloroquina para o tratamento da Covid-19. Desde o início da pandemia, o presidente foi contra as medidas de isolamento social e minimizou os impactos pela doença.

Em entrevista ao UOL, o prefeito de Manaus chegou a responsabilizar Bolsonaro pelos números de mortos no Brasil, vitimados pelo novo Coronavírus. “Acho que ele é corresponsável (pelas mortes), sim. Se ele fez as pessoas irem para a rua e a maior defesa é o isolamento social, então ele colaborou para entupir hospitais, para mortes de pessoas”, acusou Arthur.

Nessa sexta-feira, 7, atos por todo país contra o presidente foram registradas. Em Manaus, um grupo de manifestantes realizou um protesto em frente ao Teatro Amazonas, no Largo de São Sebastião, contra Jair Bolsonaro e em homenagem aos brasileiros vítimas da pandemia do novo Coronavírus.

Em São Paulo, os protestos foram nas ruas do Boqueirão e Jardim São Savério. No Rio Grande do Sul, os atos ocorreram em frente a hospitais e empresas. Os manifestantes denunciam a ausência e a irresponsabilidade do governo federal com a população.

Desrespeito

Na semana passada, a REVISTA CENARIUM flagrou uma cena de desrespeito e falta de empatia com doentes e familiares de mortos. Na praia da Ponta Negra, Zona Oeste de Manaus, banhistas se aglomeraram, sem máscaras, indo contra as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre a segurança sanitária durante a pandemia.

Nas imagens do fotojornalista Ricardo Oliveira, visitantes e vendedores ambulantes aparecem disputando espaço na areia e no Rio Negro, sob um forte sol de uma tarde de domingo.

Aglomeração Praia da Ponta Negra, 02/08/2020 (Ricardo Oliveira – Agência Cenarium)
Aglomeração Praia da Ponta Negra, 02/08/2020 (Ricardo Oliveira – Agência Cenarium)