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24 de novembro de 2021
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Iury Lima – Da Revista Cenarium

VILHENA (RO) – Os itens da cesta básica ficaram mais caros em 14 capitais brasileiras durante o mês de maio, de acordo com o levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O departamento estima que com o aumento, em média, o brasileiro deveria receber um salário-mínimo cinco vezes maior que o atual, de R$ 1.100,00, que acaba com mais da metade comprometida apenas com a aquisição de itens básicos para a sobrevivência de uma pessoa adulta.

Os dados foram publicados no final de junho e estão relacionados a 17 capitais que fazem parte da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos (PNCBA), realizada mensalmente pelo Dieese. Já com base nos dados de governos estaduais e de instituições como a Universidade Federal de Rondônia (Unir) e o Programa de Orientação, Proteção e Defesa do Consumidor (Procon), a cesta básica com o valor mais elevado, na Amazônia Legal, é a do Estado de Mato Grosso. 

Oito alimentos básicos tiveram o maior aumento nas capitais analisadas. (Daiane Mendonça/Reprodução)

Alta

A PNCBA apontou que as maiores elevações de preço ocorreram em capitais das regiões Nordeste, Sul e Norte, respectivamente: Natal (4,91%), Curitiba (4,33%), Salvador (2,75%) e  Belém e Recife (ambas com 1,97%). A capital do Pará é a única cidade da Amazônia Legal inserida na pesquisa que envolve 17 capitais brasileiras.

Já a cesta básica mais cara do País, observada pelo Dieese, foi encontrada em Porto Alegre, custando R$ 636,96. Por uma diferença de 56 centavos, São Paulo aparece em seguida (R$ 636,40). Rio de Janeiro é a capital com a terceira cesta mais salgada, vendida a R$ 622,76.

CapitalValor da cestavariação mensal (%)Porcentagem do salário mínimo líquidoTempo de trabalhoVariação no anoVariação em 12 meses (%)
Porto Alegre 636,96 1,7362,60127h23m3,46 22,82
São Paulo636,400,6062,55127h17m0,7814,39
Rio de Janeiro622,760,1261,20124h33m2,7811,44
Vitória616,960,9860,63123h23m2,7814,95
Curitiba608,894,3359,84121h47m12,6814,91
Brasília588,540,1557,81117h39m-0,6033,36
Campo Grande 575,01-1,9256,81115h00m-0,2526,28
Goiânia564,041,4055,43112h49m0,0411,47
Fortaleza 532,211,3252,31106h26m-0,5116,92
Belém515,841,9750,70103h10m2,9813,78
Natal501,704,9149,31100h20m9,3516,79
João Pessoa491,630,3248,3298h20m3,4611,67
Recife480,801,9747,2596h10m2,436,50
Salvador470,142,7546,2194h02m-1,8714,58
Aracaju468,43-0,2646,0493h41m3,3717,06
Florianópolis *636,370,2962,55127h16m3,3821,43
*Florianópolis é a única cidade sem título de capital a compor a pesquisa. Dados de Belo Horizonte não foram apresentados devido a mudanças na forma de levantamento de dados do Estado de Minas Gerais.
Fonte: PNCBA/Dieese

De acordo com o Dieese, o preço do conjunto de alimentos básicos subiu em todas as capitais integrantes da PNCBA, em relação ao mesmo período do ano passado.

Entre maio de 2020 e maio de 2021, Brasília teve o maior aumento: 33,36%. Em seguida, Campo Grande (26,28%), Porto Alegre (22,82%) e Florianópolis (21,43%), única cidade sem título de capital a integrar o levantamento.

Salário insuficiente

A pesquisa analisa desde 1959, de forma contínua, os preços de 13 produtos considerados como os principais alimentos básicos consumidos pelos brasileiros, que foram definidos pelo Decreto Lei nº 399, de 1938, ainda em vigor (o mesmo que regulamentou o salário-mínimo). Segundo o decreto, a cesta básica deve ser constituída por esses produtos para garantir o sustento e o bem-estar, por um mês inteiro, de um trabalhador em idade adulta.

Para o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, o atual salário-mínimo, de R$ 1.100,00, não é suficiente para que o brasileiro consiga custear todos os seus gastos mensais, visto que, em média, no mês de maio, 54,84% de sua renda (no caso de trabalhadores com carteira assinada pelo piso nacional) ficou comprometida com a alimentação básica.

O cálculo é feito levando em consideração o sustento de uma família de quatro pessoas (dois adultos e duas crianças), diante do valor da cesta básica mais cara identificada pela pesquisa, em Porto Alegre.

Segundo o Dieese, o mínimo ideal para sobreviver sem passar por necessidades, seria um salário de R$ 5.351,11, valor 4,86 vezes maior que o pago atualmente. Além disso, essa média também apresenta uma crescente, pois um mês antes, em abril, o mínimo necessário seria de R$ 5.330,69.

O levantamento apresenta o açúcar, óleo de soja, carne bovina de primeira, café em pó, pão francês, leite integral, manteiga e banana, como os alimentos que mais encareceram em todas as cidades analisadas.

Na Amazônia Legal


A Reportagem da Revista Cenarium realizou um levantamento de preço da cesta básica nos Estados que compõem a Amazônia Legal, divulgados por departamentos estaduais e de pesquisa. Foram detalhados os valores de cinco dos nove Estados, sendo que Mato Grosso é a unidade com o maior custo para a alimentação básica: R$ 611,30.

Já a mais barata foi encontrada no Amapá, por R$ 281,68, Estado onde seria possível alimentar quase 6 famílias em situação de vulnerabilidade socioeconômica e insegurança alimentar, com o gasto de R$ 1,6 milhão das ‘motociatas’ do presidente da República, Jair Bolsonaro, por exemplo.

EstadoPreço da cesta básica
Mato GrossoR$ 611,30
ParáR$ 515,77
Rondônia R$ 456,77
Amazonas R$ 305,42
AmapáR$ 281,68
Fontes: Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea); Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese); Programa Educação Tutorial (Pet) do curso de Ciências Contábeis da Universidade Federal de Rondônia (Unir); Comissão de Defesa do Consumidor da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (CDC/Aleam) e Programa de Orientação, Proteção e Defesa do Consumidor (Procon).