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17 de novembro de 2021
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João Paulo Guimarães – Especial para a Cenarium

CHAPADA DO VEADEIROS (GO) – Era por volta das 17h de sexta-feira, 1º, quando um foco de incêndio no alto de uma serra em Alto Paraíso, na Chapada dos Veadeiros, foi avistado. A cidade é a entrada para o Parque Nacional que fica na região central do Brasil e tem o Cerrado como seu bioma principal. A CENARIUM esteve no local para acompanhar, junto com a Rede contra o Fogo, o combate a mais de quatro “linhas de fogo” que se espalhavam rapidamente por todo o vale. As imagens são assustadoras e criam urgência sobre a pauta das queimadas que consomem não apenas o Cerrado, mas os outros biomas do Brasil.

A Amazônia, o Pantanal e a Mata Atlântica estão, da mesma forma, sendo consumidos pelas chamas de procedência indeterminada, mas que, coincidentemente, sempre se iniciam próximo às fazendas. Nesse caso em particular, o caseiro de uma fazenda, que não será identificada, contou que um raio caiu no topo da serra fazendo com que o fogo iniciasse e se espalhasse em uma velocidade impressionante.  

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Queimada em grande escala no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás (João Paulo Guimarães/CENARIUM)

A brigadista do Rede contra o Fogo Gisele Cavati contou que a brigada nasceu, em 2017, quando ocorreu um dos maiores incêndios da história da Chapada dos Veadeiros. A estruturação da brigada como ela existe hoje foi baseada na “força de vontade e amor” através de uma improvisação que deu certo. No final daquele ano, houve uma mobilização para arrecadar fundos e, finalmente, a Rede contra o Fogo conseguiu os equipamentos que usam hoje nas ações.

“Naquela época não sabíamos o que estávamos fazendo, a gente fazia por amor mesmo e com responsabilidade. Combatia de chinelo, calça jeans e usava até o tapete do carro para apagar o fogo. No final de 2017, para criar essa estrutura que você viu hoje, a gente fez uma campanha de financiamento coletivo. Somos 150 brigadistas treinados e equipados e hoje a gente sabe exatamente o que está fazendo. Cada um tem uma função no combate, como você pôde ver”, contou Cavati.

Gisele explicou ainda que, neste ano, o primeiro grande incêndio foi no Vale da Lua. Não se sabe se o incêndio foi culposo ou doloso, mas o fogo de grande proporção queimou, aproximadamente, 36.000 hectares. A brigada montou rapidamente uma operação conjunta com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (Icmbio), Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo) do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Corpo de Bombeiros e as brigadas voluntárias da Chapada, que são a Rede contra o Fogo, Brigada de São Jorge e a Brigada Voluntária Ambiental de Cavalcante (Brivac).

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Neste ano, com essa ação conjunta entre agências e brigadas, foi possível controlar as queimadas graças a toda a estrutura montada e à experiência adquirida nesses anos todos. Gisele explicou ainda que não há como saber qual ano foi o pior, se o ano de 2017 ou este ano, que ainda nem acabou. Ela pontuou que, nesse ano, eles vivem condições climáticas extremas e falou do período conhecido por “30/30/30”.

“Temperatura acima de 30°, umidade relativa do ar abaixo de 30%, vento acima de 30 nós”, detalhou.

A brigadista do Rede contra o Fogo Gisele Cavati salva pequenos animais durante o combate às queimadas na Chapada dos Veadeiros (João Paulo Guimarães/CENARIUM)

As condições climáticas são extremas e favoráveis para a propagação dos incêndios, pois qualquer fogo se transforma em uma grande queimada em questão de minutos. Este incêndio registrado no Vale Verde foi de origem natural e, além do trabalho de inteligência e agilidade da brigada, houve uma chuva fraca para ajudar no combate que se encerrou quatro horas após o início das chamas. O Corpo de Bombeiros de Alto Paraíso estava no local, mas, pouco tempo depois, não foram mais avistados nem a viatura e nem os brigadistas.   

Veja o vídeo das queimadas no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros:

(Reprodução/Gisele Cavati)