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7 de maio de 2021

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Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS – Com 14,3 milhões de brasileiros desempregados, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), especialistas afirmam que a procura por cursos profissionalizantes é fundamental neste período de pandemia para garantir uma vaga no mercado de trabalho.

Na avaliação de Neila Azrak, secretária-executiva do Trabalho e Empreendedorismo (Setemp), órgão que administra o Sistema Nacional de Emprego (Sine-Amazonas), se aprimorar é essencial para se manter no emprego ou ser recolocado, visto que o mercado de trabalho está cada vez mais exigente. Segundo ela, para além da experiência, é essencial que o trabalhador busque cada vez mais se manter atualizado, pois a todo momento novas técnicas surgem e novas necessidades nos ofícios se alteram para melhor.

Neila Azrak, secretária-executiva do Trabalho e Empreendedorismo (Setemp) – (Divulgação)

“Além de assiduidade, profissionalismo e dedicação, as empresas têm buscado profissionais atualizados, bem como colaboradores que possuam competências para além do simples desenvolvimento da atividade, tendo uma visão humanizada e ampla para enfrentar os desafios diários. Não se busca mais hoje apenas experiência, mas trabalhadores que possam resolver problemas de forma dinâmica, contribuindo para o aprimoramento dos processos internos da empresa e seu crescimento”, realçou.

Para a psicóloga e especialista em Gestão de Pessoas, Ruyter Ferro, de 40 anos, a capacitação por meio de cursos mostra o interesse do trabalhador em contribuir para o melhor desenvolvimento da empresa. Segundo ela, a especialização é apenas um dos requisitos para o processo de contratação.

“Ser verdadeiro e não omitir informações importantes também são fundamentais. Procurar por cursos profissionalizantes, sem dúvidas, é importante, isso demonstra desenvolvimento, crescimento profissional e é bem-visto pelo selecionador.
Os cursos profissionalizantes também dão a oportunidade de novos horizontes e perspectivas profissionais”, salientou.

Ruyter Ferro atua no setor de Recursos Humanos desde 2000 (Arquivo Pessoal/Reprodução)

Desde 2000, Ruyter atua no setor de Recursos Humanos no recrutamento e seleção de pessoas. Atualmente, a especialista é coordenadora de RH no Grupo Queiroz, em Manaus. Para ela, o primeiro ponto de partida para seleção de um funcionário é o currículo.

“Se o mesmo conter as informações básicas que precisamos para fechamento da vaga, sem dúvida é o primeiro passo. Por isso, a importância do mesmo ser bem elaborado. Muitos candidatos deixam de ser chamados para uma entrevista, porque não tem um currículo adequado. O segundo passo é a entrevista. Chegar no horário marcado, ser objetivo e demonstrar interesse na vaga são fundamentais”, destacou.

Desemprego e informalidade

No Brasil, a taxa média de desemprego foi de 13,5% em 2020, a maior desde o início da série histórica (2012), segundo dados divulgados em 31 de março deste ano pelo IBGE. Já no trimestre encerrado em janeiro de 2021, o que perfaz os meses de novembro, dezembro de 2020 e janeiro de 2021, a desocupação ficou em 14,2%, a maior taxa já registrada para o período, o que representa o recorde de 14,3 milhões de pessoas sem emprego. Na taxa de desemprego, segundo a avaliação do IBGE, estão as pessoas com idade para trabalhar (acima de 14 anos) que não estão trabalhando, mas que estão disponíveis e buscam emprego nos últimos 30 dias anteriores à realização da pesquisa.

Ainda no trimestre encerrado em janeiro deste ano, segundo a pesquisa do IBGE, o Brasil alcançou uma taxa de informalidade de 39,7% no mercado de trabalho. De acordo com a Pnad Contínua, foram registrados 34,118 milhões de brasileiros atuando informalmente no período.

Segundo o IBGE, os dados da pesquisa mostraram que subiu 3,6% o número de empregados sem carteira assinada no setor privado, em comparação com o trimestre anterior. No total, foi registrado um aumento de 338 mil pessoas nesse índice. Em relação aos trabalhadores que atuam por conta própria, sem o CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica), o aumento foi de 4,8% no mesmo período, ou seja, 826 mil pessoas a mais.

Oportunidade

Na avaliação da especialista em Gestão de Pessoas, Ruyter Ferro, a formação em cursos dá a oportunidade para o trabalhador se reinventar. Segundo ela, atualmente não se tem mais o profissional “especialista” e sim o “generalista”, isto é, aquele profissional que se reinventa e consegue atuar em vários segmentos dentro da organização.

“Contudo, não podemos deixar de levar em consideração a postura comportamental dentro do ambiente de trabalho, pois de nada adianta ter várias qualificações e não saber se relacionar com as pessoas, ser cortês, educado e saber respeitar as diferenças”, enfatizou.

A formação em cursos também pode ajudar o profissional a atuar individualmente, como é o caso da confeiteira Yasmin Correa, que ficou desempregada na pandemia, decidiu abrir um empreendimento por conta própria após fazer cursos sobre confecção na internet.

Yasmin Correa, confeiteira e proprietária da Delícias da Ya (Arquivo Pessoal/Reprodução)

“Sempre gostei muito de doce, então comecei a fazer em casa para comer. Foi aí que minha família começou a gostar muito e quando fui ver já estava fazendo bolos, salgados. Com a pandemia, sem emprego, sem nenhuma renda extra, decidi fazer doces para vender e hoje abri uma pequena loja”, lembrou.

No estabelecimento, localização na rua Carvalho Leal, no bairro Cachoeirinha, na zona Sul de Manaus, a confeiteira trabalha com café da manhã, doces e almoço. “Mas as minhas clientes amam meus bolos no pote e minhas coxinhas recheadas com morango”, finalizou.

Recomendação

A recomendação da secretária Neila Azrak, para as pessoas que procuram por emprego, mas não encontram oportunidade, é acompanhar as mídias sociais da Secretaria Executiva do Trabalho e Empreendedorismo para se manter atualizado sobre dicas, orientações e seleções.

“Por segundo, ter uma boa apresentação pessoal, seja por meio de um bom currículo ou durante as seleções e entrevistas, é essencial. Por fim, buscar estar sempre atualizado nos processos, técnicas ou procedimentos mais atuais da profissão é um diferencial. A qualificação técnica aliada à experiência garante a vaga e impulsiona maiores ofertas de remuneração para além do piso salarial”, recomendou.

O mercado de trabalho, conclui a secretária, cada vez mais está afunilando os perfis de seus colaboradores, ou seja, cada vez as seleções se tornam mais criteriosas. “Assim, ter uma visão ampla, qualificação profissional e experiência são fundamentais na busca do trabalho e na manutenção destes. Portanto, a necessidade de qualificar-se sempre é uma realidade até para profissionais que estão no mercado há anos”, finalizou.