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4 de dezembro de 2021
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Com informações do Infoglobo

RIO — Manifestações pelo impeachment do presidente Jair Bolsonaro ocorrem neste domingo em ao menos 15 capitais brasileiras. A mobilização, convocada pelo Movimento Brasil Livre (MBL), Vem Pra Rua e Livres, é  a primeira contra o governo após os atos antidemocráticos de 7 de setembro e a divulgação da carta na qual o presidente atribuiu ao “calor do momento” as ameaças feitas contra o Supremo Tribunal Federal (STF).

Em São Paulo, o ato reuniu pré-candidatos à Presidência, como o ex-ministro Ciro Gomes (PDT), e o ex- presidente do Novo, João Amoedo. A manifestação ocupou trechos da via. A avenida não chegou a ser totalmente interditada, e a maior concentração de pessoas era num trecho de cerca de 500 metros entre os prédios da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Museu de Artes de São Paulo (Masp).

Inicialmente, o MBL pretendia fazer um protesto com o mote “Nem Bolsonaro, nem Lula”, em apoio a uma terceira via nas eleições de 2022. Ao longo da semana, porém, num sinal para receber a adesão de outras siglas de esquerda, o grupo concordou em fazer um ato apenas pedindo a saída de Bolsonaro do cargo. Apesar disso, os organizadores levaram um boneco inflável com Bolsonaro e Lula abraçados — e o petista usando roupa de presidiário.

Mulher usa máscara de proteção para protestar contra o presidente Bolsonaro Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo
Mulher usa máscara de proteção para protestar contra o presidente Bolsonaro (Brenno Carvalho/Agência O Globo)

Em Brasília, um grupo de cerca de mil pessoas que inclui desde militantes do PCdoB a grupos liberais como MBL e Livres também se juntou para se manifestar contra o Governo Bolsonaro. Os manifestantes se concentraram na Esplanada dos Ministérios.

A pedido das lideranças, a maioria dos participantes foi ao ato usando a cor branca. Nos discursos, realizados de um trio elétrico, os representantes dos movimentos valorizaram a união de diversos grupos apesar das divergências ideológicas e pediram o impeachment do presidente Bolsonaro.

Alguns manifestantes levaram faixas em que cobravam punição à família Bolsonaro pelos escândalos de corrupção em que estão envolvidos e defendendo os ministros do Supremo Tribunal Federal, que foram atacados repetidamente pelo presidente nas últimas semanas. Em uma delas, havia os dizeres “Quem tem medo da Justiça é bandido”. Outras faixas cobravam outros aliados de Bolsonaro, como o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que é o responsável pela abertura ou não de um processo de impeachment.

No Espírito Santo, a manifestação começou às 9h30 na Praça do Papa, em Vitória. Os manifestantes saíram em carreata até Vila Velha, por volta das 10h20.

Em Belo Horizonte, o ato contra o presidente Jair Bolsonaro ocorreu na Praça da Liberdade, no centro da capital mineira. Assim como no Rio e em Vitória, as manifestações não tiveram uma grande adesão.

Os protestos deste domingo dividiram a esquerda: PT e Psol descartaram aderir à manifestação. Por outro lado, o pré-candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes, afirmou que irá comparecer em São Paulo e PSB e PCdoB também anunciaram participação, apesar das divergências com o MBL. O movimento se consolidou na mobilização pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e faz críticas frequentes a Lula.

Em Salvador e Manaus, os atos começaram por volta das 8h.

Outras capitais devem ter manifestações contrárias ao governo ao longo do dia. Há previsão de atos em Florianópolis, Goiânia, Porto Alegre e Curitiba.

Políticos de diferentes espectros políticos foram às redes sociais convocar as pessoas a protestarem contra Bolsonaro. O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) escreveu:

“Em uma democracia, o que vc faz quando o presidente eleito rasga as promessas de campanha, não trabalha, comete crimes em série e ataca a própria democracia, jogando o país numa crise imensa? Vc vai para a rua, se manifesta e exige que a lei seja cumprida”.

O deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) disse que é necessário uma “ampla frente” pelo impeachment.

“Estéril essa briga de foice nas redes”, escreveu. “Ninguém está obrigado a ir ou a deixar de ir aos atos de hoje. Inclusive os partidos que não aderiram liberaram filiados que quiserem participar. Por isso, melhor colocar a bola no chão e concentrar no que importa: Fora Bolsonaro!”.