4 de março de 2021

Com informações IstoÉ

SÃO PAULO – Sob a lei muçulmana da Sharia, a província de Aceh, na Indonésia, açoitou na última quinta-feira, 28, um casal gay como punição por terem feito sexo, informaram as autoridades locais. A região utiliza o açoitamento como forma corriqueira de punição.

Os dois homens receberam cerca de 80 golpes cada por manterem relações sexuais, o que é ilegal segundo a Sharia, em vigor na província norte da ilha de Sumatra.

“A aplicação da lei islâmica é definitiva, não importa quem seja, e até mesmo os visitantes devem respeitar os regulamentos locais”, explicou Heru Triwijanarko, oficial da lei.

Os açoites são parte de um antigo padrão de abuso dirigido pelas autoridades acehnenses contra lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros (LGBT).

Em 2012, a então vice-prefeita de Banda Aceh Illiza Saaduddin anunciou uma “equipe especial” para tornar o público mais ciente da “ameaça de LGBT”, postando uma imagem de si mesma no instagram segurando uma arma e jurando expulsar os gays de Aceh. Em outubro de 2015, a polícia especial da Sharia prendeu duas mulheres, de 18 e 19 anos, sob suspeita de serem lésbicas por se abraçarem em público, e as deteve por três noites antes de enviá-las para uma “reabilitação” religiosa. Um episódio quase idêntico ao açoitamento desta semana aconteceu em 2017 – incluindo vigilantismo, envolvimento da polícia, processo sob os regulamentos da Sharia grosseiramente discriminatórios e açoite público.