Caso Dom Phillips e Bruno: Justiça decreta prisão temporária de suspeito por desaparecimentos no Amazonas

Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS — Após a perícia da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) encontrar vestígios de sangue na embarcação de Amarildo da Costa de Oliveira, o “Pelado”, de 41 anos, o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) decretou, na noite dessa quinta-feira, 9, a prisão temporária do homem por suspeita de envolvimento no desaparecimento do indigenista Bruno Pereira, da Fundação Nacional do Índio (Funai), e do jornalista inglês Dom Phillips, colaborador do jornal The Guardian.

Uma prisão temporária tem natureza cautelar, ou seja, um procedimento preventivo, para conservar ou defender direitos, e que tem prazo de cinco dias. A medida pode ser prorrogada por mais cinco dias, mas em caso de crimes hediondos, o prazo pode chegar a um mês.

A decisão sobre Amarildo foi proferida após audiência de custódia na Comarca de Atalaia do Norte (a 1.138 quilômetros de Manaus), e atende ao pedido da Polícia Civil do Amazonas. Mais cedo, o TJAM havia negado a informação falsa de que a prisão temporária de Pelado já havia sido decretada e comunicado que a audiência sobre o caso estava marcada para as 18h (horário do Acre) dessa quinta-feira, 9.

Prisão em flagrante

A prisão ocorre ainda depois do suspeito ser preso em flagrante com porção de droga e munição de uso restrito. Quanto à perícia feita com o uso de luminol, a informação sobre o vestígio de sangue foi divulgada nessa quinta-feira, 9. De acordo com o delegado Alex Perez, do município de Atalaia do Norte, resta saber ou comprovar se o material é de origem humana ou animal.

Lancha de Amarildo sendo vistoriada pela PF (Divulgação)

Além disso, relatos de uma testemunha considerada chave dão conta de que Amarildo carregou uma espingarda e fez um cinto de munições e cartuchos pouco depois que o indigenista Bruno Pereira e o jornalista Dom Phillips deixaram a Comunidade São Rafael com destino a Atalaia do Norte, na manhã do último domingo, 5, quando desapareçam.

O caso

O caso aconteceu no domingo, 5, após Bruno e Phillips receberem ameaças em campo, segundo a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja). A organização afirma que o indigenista era ameaçado constantemente por sua atuação contra invasores na região: pescadores, garimpeiros e madeireiros. Já o jornalista, apaixonado pelo Brasil, era conhecido por reportagens denunciando as violações dos direitos dos indígenas e vinha trabalhando em um livro sobre o meio ambiente.

Desde segunda-feira, 6, equipes da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), da Univaja e da Marinha do Brasil estão atuando nas buscas pelo ativista e pelo jornalista. A Polícia Federal e o Exército também enviaram reforços. Além disso, a PC-AM instaurou um inquérito policial para investigar o caso.

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