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25 de janeiro de 2022
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Com informações do Clima Tempo

Por conta das chuvas frequentes e volumosas dos últimos meses houve registros de cheias nos rios do Norte e Nordeste do Brasil. Os rios Tocantins e Itapecuru tiveram um dos maiores níveis, para um mês de janeiro, em mais de uma década. 

No município de Marabá, no Pará, o rio Tocantins alcançou a cota máxima de 11,91 metros, no dia 5 de janeiro de 2022, sendo o maior nível para um mês de janeiro dos últimos 20 anos, desde 2002. 

A pior cheia da história, contando os dados anuais, foi em 1980. As maiores cheias foram nos meses de fevereiro, março, abril e maio, de acordo com os dados da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e do Serviço Geológico do Brasil – CPRM, obtidos pelo site da Rede Hidrometeorológica Nacional. 

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Níveis mais altos  (em metros) do rio Tocantins em Marabá (PA) para um mês de janeiro, entre 1972 e 2022 

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Níveis mais altos por ano (em metros) do rio Tocantins em Marabá (PA),  entre 1972 e 2022 

Rio Itapecuru tem maior cheia em 18 anos

No município de Cantanhede, no Maranhão, o rio Itapecuru atingiu a cota máxima de 7,81 metros no dia 05 de janeiro de 2022. Este foi o maior nível para um mês de janeiro nos últimos 18 anos, desde 2004. 

A pior cheia da história, contando os dados anuais, foi em 1980. As maiores cheias foram nos meses de março, abril e maio, conforme dados da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico(ANA) e o Serviço Geológico do Brasil – CPRM, obtidos pelo site da Rede Hidrometeorológica Nacional. 

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Níveis mais altos (em metros) do rio Itaperucu em Cantanhede (MA) para um mês de janeiro, entre 1969 e 2022

 

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Níveis mais altos por ano (em metros) do rio Itaperucu em Cantanhede (MA), entre 1972 e 2022 

Acumulados de chuva 

Como comentado anteriormente, as maiores cheias nos rios Tocantins e Itapecuru  ocorrem geralmente entre o final do verão e meados do outono. O que se observa neste início de ano é uma das maiores cheias para um mês de janeiro.

As chuvas foram muito volumosas nos últimos 30 dias, entre 200mm e 600mm sobre o Tocantins e o Maranhão, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Em Cantanhede (MA), por exemplo, choveu 88,5mm só nestes 8 dias do mês de janeiro, sendo o maior acumulado de chuva no período de 01/01 a 08/01 nos últimos 2 anos. 

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Acumulados de chuva dos últimos 30 dias, medidos às 9h do dia 08 de janeiro de 2022. (INMET)

Essas precipitações extremas são causadas pelas atuações de corredores de umidade constantes na região. Foram na média sete (07) zonas de convergência do Atlântico Sul (ZCAS) desde o início da primavera de 2021. 

A Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) ocorre durante a primavera e o verão, ou seja, está mais presente na monção de verão da América do Sul. A maior quantidade de ocorrência são em anos de La Niña, que é o resfriamento das águas da faixa equatorial leste do Oceano Pacífico.

As fases 6 e 7 da Oscilação de Madden Jullian (MJO) também facilitam a ocorrência da ZCAS. A MJO é o deslocamento para leste de uma célula zonal de grande escala, termicamente direta, num período entre 20 e 60 dias, que causa variações na convecção tropical.

A instabilidade da MJO sempre começa na região do Oceano Índico. Desde o dia 8 de dezembro de 2021 observa-se que a MJO está parada na fase 7 e com forte intensidade. Nessa fase, a posição e a intensidade das circulações dos ventos na atmosfera, contando com a posição da alta pressão subtropical no Atlântico, favorecem o posicionamento e localizações dos corredores de umidade sobre o Brasil, além das correntes de jato de latitudes médias.


Além disso, a temperatura da superfície do Oceano Atlântico está mais aquecida que o normal na altura do Espírito Santo e no Nordeste, e mais fria do que a média na altura de parte do Sudeste.

Esta diferença da temperatura da superfície do mar entre duas áreas é chamada de gradiente, e deixa as frentes frias estacionadas com mais frequência entre a costa do Rio de Janeiro, do Espírito Santo e a da Bahia, colaborando para a formação das ZCAS.

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Anomalia da temperatura superficial do mar em 7 de janeiro de 2022 (NOAA)

 Previsão do tempo para os próximos dias no Brasil 

Até a semana que vem ainda teremos bastante chuva sobre o Sudeste, o Centro-Oeste, Norte e sobre os Estados do Piauí, Maranhão e Bahia. Até o dia 15 de dezembro, os acumulados devem variar entre 150 e 250mm, na média, mas em alguns locais podem chegar aos 300mm. 

O Triângulo Mineiro e o Vale do Rio Doce, em Minas Gerais, receberão os maiores valores de precipitação no Brasil, que está em vermelho no mapa, só nos próximos 5 dias. O Estado de MG como um todo, como os Estados do RJ, GO, ES, MT, DF, TO, PA, além do oeste da BA, centro do PI e sul do MA, e do litoral do PR e de SP, também merecem atenção por conta dessas precipitações.

Tudo isso ainda pela influência do corredor de umidade que vem da Amazônia, e que é classificada como Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) até segunda-feira (10).

Já a partir de terça-feira, há mais convergência dos ventos em superfície e que forma ainda um corredor de umidade desde a região Norte do País até São Paulo. Por isso, o Estado paulista começará a receber mais chuva. As outras áreas do Sudeste vão continuar tendo chuva também. No início da semana que vem, as instabilidades do Mato Grosso do Sul ainda terão o reforço de uma área de baixa pressão atmosférica, que intensificará os temporais por lá e também causará volumes pontualmente elevados, como previsto também neste domingo.

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Acumulado de chuva previsto entre os dias 08/01 e 12/01/2022 no Brasil (GFS – Global Forecast System. 

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Acumulado de chuva previsto entre os dias 13/01 e 17/01/2022 no Brasil. (GFS – Global Forecast System.