2 de março de 2021

Com informações do jornal O Globo

PANGUIPULLI, CHILE — Uma série de manifestações ocorreu na região mapuche, no Sul do Chile, após a morte de um artista de rua por um policial durante uma abordagem na noite da última sexta-feira, 5. Prédios públicos da comuna de Panguipulli, entre eles o da prefeitura, foram incendiados durante os protestos. A repercussão negativa levou o presidente Sebastián Piñera a convocar uma reunião de emergência para tratar do caso.

O artista Francisco Martínez foi morto com tiros à queima-roupa durante uma abordagem para a verificação de seus documentos de identidade.  O jovem teria se recusado e uma discussão entre ele e os dois policiais começou. Um dos agentes atirou na direção de seus pés, como forma de advertência. O artista investiu contra o policial, que reagiu e o jogou no chão.

Um vídeo da ação violenta rapidamente repercutiu nas redes sociais, contribuindo para aumentar a indignação no País. Além da sede municipal, que ainda estava em chamas no começo deste sábado, outros 10 prédios públicos também foram atingidos, como o tribunal de polícia local e a sede dos Correios.

O policial, cuja identidade está sendo mantida em sigilo, foi preso ainda na sexta-feira. Ele foi levado a um tribunal, no qual foi determinada sua detenção até a próxima segunda-feira, quando o Ministério Público apresentará as acusações contra ele e será iniciada a investigação do caso.

Já a polícia alegou que o tiro foi dado em “legítima defesa”. Segundo a corporação, os tradicionais carabineiros chilenos, o artista carregava um “tipo de faca, semelhante a um facão”, o que os obrigou a abordá-lo. No entanto, de acordo com testemunhas, Martínez estava com armas de circo, que possuem lâminas cegas para evitar riscos de ferimentos.

O prefeito de Panguipulli, Rodrigo Valdivia, disse à mídia local que Martínez era uma “pessoa pacífica” que estava em situação de rua. Ele lamentou a conduta dos policiais. Em entrevista ao jornal chileno El Mercúrio, o prefeito explicou que, apesar dos estragos gerados pelos protestos, não houve prejuízo aos postos de vacinação para a Covid-19.

O ministro do Interior, Rodrigo Delgado, ordenou uma investigação completa dos fatos ao mesmo tempo em que condenou os incêndios em prédios públicos. “Lamentamos profundamente que uma operação policial termine em morte”, disse Delgado em Santiago.