2 de março de 2021

Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium*

MANAUS – Autoridades da Saúde ao redor do mundo tentam frear a disseminação de novas cepas da Covid-19 por meio da vacinação. Segundo especialistas entrevistados pela REVISTA CENARIUM nesta sexta-feira, 12, o risco de redução da eficácia dos imunizantes já produzidos contra a doença existe, mas é preciso aguardar resultados de estudos e acelerar a cobertura vacinal.

De acordo com o cientista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz Amazônia), Felipe Naveca, ainda não há certeza sobre a diminuição da eficácia das vacinas. “O risco existe e, para entendermos melhor o que pode acontecer, estão sendo realizados ensaios de neutralização na Fiocruz do Rio de Janeiro e em Oxford”, disse Naveca.

A nova variante da Covid-19 denominada como P.1 chegou a ser encontrada por pesquisadores em 91% das amostras de pacientes do Amazonas com código genético sequenciado em janeiro deste ano. Ainda de acordo com nota técnica da Fiocruz Amazônia, também foram identificadas 18 novas linhagens com uma análise de 250 genomas do novo coronavírus de pacientes do Estado.

Veja também: ‘Recuperação por infecção de nova cepa de Covid-19 continua em 21 dias’, afirma especialista

Para o médico infectologista Marcus Barros, que atua na linha de frente da Covid-19 em Manaus, a variante precisa ser estudada enquanto a imunização ocorre de forma acelerada. “Ao mesmo tempo, deve-se buscar com a maior brevidade uma vacina mais específica contra a variante”, alerta o especialista.

‘Mais contagiosa’

Nessa quinta-feira, 11, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse que a variante P1 é três vezes mais contagiosa que o vírus original. No entanto, as vacinas continuam obtendo resultado. Segundo o general, durante pronunciamento no plenário do Senado Federal, a maior transmissão do vírus foi comprovada em Manaus.

“Comprovamos na nossa Amazônia, lá em Manaus, uma nova variante do vírus que se espalha pelo País, uma variante mais contagiosa. Graças a Deus, tivemos a notícia clara da análise que as vacinas têm resultado com essa variante ainda. Era um trabalho que nós estávamos esperando chegar da análise do material colhido. Mas ela é mais contagiosa, na nossa análise três vezes mais contagiosa, os números triplicam em termos de contágio”, disse Pazuello.

Veja o pronunciamento do ministro:

Terceira onda

Por conta do aumento de casos da Covid-19 em janeiro deste ano e a falta de oxigênio nas unidades hospitalares do Amazonas, especialistas alertam sobre o risco da terceira onda da pandemia. Para o médico de Parintins (a 369 quilômetros de Manaus), a prevenção continua sendo uma potencial arma, porém, um novo pico de casos do novo coronavírus é inevitável.

“Precisamos conter a 3ª onda… Ela é inevitável, porém um povo consciente e governantes conscientes e honestos fazem uma grande diferença nesta luta. Vamos ter perdas, mas que sejam mínimas”, escreveu o médico nessa quinta, em uma publicação no Facebook, alertando sobre a cepa P1.

Segundo ele, a variante é uma das mais agressivas do mundo e, ainda, extremamente silenciosa, podendo ficar no organismo por mais de 15 dias, sem causar sintomas. “Nesse contexto, o paciente já está transmitindo a doença. Nesse período (pré-transmissão), o paciente já pode ter tido Covid ou está saindo de uma infecção Covid de uma outra cepa menos agressiva”, continuou Jefferson.

Ao site UOL, o biólogo e doutorando do programa de Biologia do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Lucas Ferrante, salienta que sem o isolamento social adequado, Manaus deve enfrentar uma terceira onda ainda em 2021. Para ele, é necessário uma fiscalização mais forte da polícia para garantir as medidas restritivas impostas na capital.

Vacinação no AM

No Amazonas, 179.990 pessoas já foram vacinadas contra a Covid-19 até essa quinta-feira, 11. Desse total, de acordo com a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM), 174.990 são da primeira dose e 4.160 da segunda dose. Os dados parciais são do Programa Nacional de Imunização da FVS-AM (PNI/FVS-AM). A informação está disponível no site da fundação.

Nesta primeira fase de imunização, conforme o Plano Operacional da Campanha de Vacinação contra Covid-19 no Amazonas, os grupos prioritários a serem vacinados são os povos indígenas vivendo em terras indígenas, ou seja, aldeados; os trabalhadores de saúde; as pessoas de 80 anos ou mais; pessoas de 75 a 79 anos; e pessoas com 60 anos ou mais institucionalizadas.

*Colaborou a jornalista Jennifer Silva