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6 de maio de 2021

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Alessandra Leite – Da Revista Cenarium 

MANAUS – Lançada por cientistas de todo o Brasil para tentar mitigar a miséria no País, a campanha “Coalização contra a fome – A ciência de mãos dadas com a cidadania” tem pesquisadores amazonenses engajados na causa.  Entre eles, a pesquisadora Maria Teresa Fernandez Piedade e o pesquisador Adalberto Luis Val, ambos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Maria Teresa, que coordena o grupo de pesquisas Maua de Ecologia, monitoramento e uso sustentável de áreas úmidas, lamenta que a insegurança alimentar tenha voltado a assolar mais da metade dos brasileiros. “Isto é paradoxal em um país rico em recursos naturais e que está entre os principais líderes de exportações de grãos do mundo”, ressalta.

A pesquisadora afirma, ainda, que a fome é maior no Norte do País, onde atinge mais de 18% dos domicílios, a maioria deles tendo mulheres como líderes. “A falta de alimento, que é a fome primária, provoca desnutrição especialmente em crianças, levando a danos crônicos e irreversíveis de saúde física e mental”, enfatizou, acrescentando a situação do momento crítico da humanidade, onde, entre outros, a pandemia de Covid-19 e as mudanças climáticas afetam a todos, especialmente as camadas mais pobres da sociedade. “Assim, temos de fazer uma ciência de qualidade e que também contribua para a diminuição desse quadro de fome crescente. Para isso, a ciência deve ser levada a atuar junto à população, promovendo melhores condições de vida e cidadania. Fome, Não!”, finaliza.

Campanha

Físico da USP que estuda a Amazônia está à frente da campanha contra a fome no Brasil (Essentia Comunicação)

Em vídeo publicado na manhã desta segunda-feira, 26, no Youtube, o professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) e estudioso das interações entre a Floresta Amazônica e as condições atmosféricas e climáticas, Paulo Artaxo, lamentou o retorno da fome no Brasil e afirmou que, atualmente, pelo 50% das famílias brasileiras têm algum nível de insegurança alimentar, além de aproximadamente 19 milhões estarem, efetivamente, passando fome.  “Esse é um problema que tem várias causas. Uma delas é que o auxílio emergencial, de R$ 250 por mês, só por três meses, sequer mitiga esta situação grave que o Brasil está passando, que é a volta da fome crônica nas famílias de baixa renda”, disse o cientista.  

Artaxo enfatizou que, trata-se de uma emergência e que precisa de forte reação da sociedade. “Além de fazer ciência, precisamos fazer ciência cidadã, para ajudar a mitigar esse problema da fome”, afirmou. Paulo Artaxo fez ainda um apelo para que as pessoas ajudem as organizações não-governamentais. “Todos devemos ajudar para que possamos passar por esse período extremamente difícil da nossa história”, finalizou.

Ação da Cidadania

No mesmo vídeo, cujas imagens ilustrativas da pobreza foram cedidas pelo fotógrafo Ricardo Oliveira, da REVISTA CENARIUM, o presidente do Conselho da Ação da Cidadania, Daniel Souza, declarou que o projeto começou no ano de 1993, quando o Brasil tinha 32 milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza.  

50% das famílias brasileiras têm algum nível de insegurança alimentar (Ricardo Oliveira/Revista Cenarium)

De acordo com Silva, fez-se uma enorme mobilização, com participação em massa da sociedade, ampliando a ação para além do “Natal sem Fome”. “Foi quando cobramos o quê, efetivamente, poderia resolver o problema da fome nesse país, que são as políticas públicas. Finalmente conseguimos mobilizar essas políticas a partir de 2003 e, em 2014, o Brasil conseguiu sair do mapa da fome” relembrou.  “Depois viemos tendo crises e mais crises a partir de 2016 e a gente, agora, mesmo sem um dado oficial, volta para o mapa da fome com um número absolutamente estarrecedor: o de 150 milhões de pessoas com algum tipo de insegurança alimentar”, disse Daniel Silva.  

Silva salientou, ainda, que a despeito do agravamento da situação por causa da pandemia, a “verdade é que de cinco anos para cá está havendo um desmonte dos direitos”. “E quando temos um auxílio emergencial medíocre, que chega atrasado, isso piora ainda mais a para aquela camada da população que mais precisa de ajuda”, lamentou.  

Daniel Silva destacou, também, a importância do trabalho dos cientistas em todo esse processo. “Hoje, se você quiser sobreviver, se quiser entender o que está acontecendo, você tem que recorrer aos cientistas. Eles já eram importantes para a evolução humana e tornaram-se ainda mais, hoje são uma questão de sobrevivência da humanidade”, ressaltou.  

Além do Inpa, aparecem, da região Norte, entre os participantes da campanha, o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) e o Instituto Tchibum.