CMM encara as mudanças na rotina em home office

Carolina Givone – Da Revista Cenarium

MANAUS – A brusca alteração das agendas eleitorais, provocadas pelas medidas de contenção do avanço do Covid-19, tem cancelado e adiado convenções partidárias, reuniões e reinventado o cotidiano parlamentar em Manaus. O isolamento social, também adotado na Câmara Municipal de Manaus (CMM), visa evitar aglomerações e o contágio entre servidores e público geral, frequentador do Plenário e gabinetes.

Desde a primeira sessão plenária virtual da Câmara Municipal de Manaus (CMM), ocorrida no fim de março, os vereadores têm se adaptado ao modelo de trabalho home office. Desde então, as deliberações dos Projetos de Lei (PL), incluindo os emergenciais no combate ao coronavírus, são realizados por vídeo conferência, cada vereador, em sua respectiva residência.

Sobre as rotinas de home office, Mirtes Salles (Republicanos) afirma que as mudanças na rotina estão ligadas à parte operacional da tecnologia. Até o contato com a equipe da foi reduzido, apenas um assessor da vereadora atende as demandas presencialmente. “O que mudou basicamente, foi a adaptação à nova forma de discutir e apresentar projetos, fazer emendas e indicações. Eu trabalho apenas com uma assessora presencialmente e os demais de forma remota, é um pouco complicado, mas não é impossível. Tem dado certo e penso que não vai atrapalhar o processo legislativo”, explicou.

Fred Mota (Republicanos) pondera que a dinâmica de trabalho no plenário, não sofreu tantas mudanças. Ele cita a ausência do papel fiscalizador dos vereadores, nas ações de bairro e o contato com a população, como a principal “baixa” do home office. “As votações e discussões dos projetos continuam as mesmas. Estamos votamos tanto no plenário, quanto nas comissões. Nesse momento, é claro, as matérias têm preferencialmente o tema coronavírus. Acredito que o fator mais complicado para o nosso trabalho, é a ausência do vereador nos bairros, tanto fiscalizando, quanto atendendo o povo”, ponderou.

Ações

A CMM já votou virtualmente, a liberação das emendas impositivas, avaliadas em aproximadamente R$ 9 milhões, para reforço das equipes médicas no atendimento da população. Assim como aprovou o aumento do valor do programa “Nossa Merenda”, que sugeria fornecer R$ 25 para refeições de estudantes da rede municipal. Após as deliberações, o benefício foi aumento para R$50, a medida beneficiará aproximadamente 90 mil estudantes em situação de vulnerabilidade social.

Joelson Silva (PSDB), destacou que os trabalhadores informais, que trabalham como ambulantes nos principais pontos turísticos citados de Manaus, não foram incluídos para receber a bolsa auxílio emergencial. Portanto, estes também estão enfrentando os problemas econômicos causados pelo isolamento social e fechamento de áreas de comércio. “A pandemia colocou todos os países em alerta para o risco de contaminação em massa. Em Manaus a situação não é diferente, e essas medidas estimulam as pessoas a ficarem em casa, evitando a disseminação do vírus entre a população”, justifica Joelson.

A extensão dos R$300 do ‘bolsa auxílio emergencial’, é voltada aos ambulantes da Praia da Ponta Negra, Praia da Lua, Praia do Tupé, Orla do Amarelinho, praça de alimentação do Dom Pedro e Parque dos Bilhares, durante o período de isolamento social como medida preventiva à infecção pelo coronavírus.

Isolamento Social

O cenário vem preocupando a classe política, habituada com o contato direto com a população. O impacto do isolamento poderá atingir, caso perdure, até a campanha eleitoral, prevista para iniciar em agosto. Tradicionalmente, a peregrinação realizada por políticos nas ruas, envolve apertos de mão, abraços e até beijos na multidão.

Salles é a favor do isolamento social, para a vereadora a falta de movimento é essencial para conter o avanço do vírus. “É difícil segurar uma pandemia de vírus, com as pessoas circulando normalmente. O vírus está na rua e não dentro de casa, mas quando a pessoa sai e volta várias vezes e toca em tudo por onde passa e respira o ar, bem próximo, onde pessoas estão infectadas, claro que o número de transmissões é maior e não tem hospital pro todo mundo, não só aqui mas no mundo todo”, alertou.

Para Gedeão Amorim (MDB), seguir as recomendações das organizações de sáude sobre o isolamento é o melhor caminho. “As informações mais contundentes que temos das autoridades médicas do mundo inteiro vão no sentido de que devemos acatar o isolamento social, mesmo que essa medida possa ser seletiva, fato possível, quando a comunidade detém controle rigoroso”, relembrou

Wallace Oliveira (Pros) reforça que a doença, surpreendeu a todos de maneira negativa e também se mostra favorável ao isolamento. “O Brasil e o mundo não estavam preparados para lidar com o vírus. Dentro das informações que temos acesso, cada um deve fazer sua parte dentro do processo, para evitar um impacto muito duro no sistema de saúde. É necessário achatar essa curva para que tenhamos a resolução, o mais rápido possível”, finalizou.

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