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10 de maio de 2021

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Priscilla Peixoto – Da Revista Cenarium

AMAZONAS – Visando participar do programa do Ministério do Meio Ambiente intitulado de “Adote um Parque”, a Coca-Cola Brasil assinou nessa quarta-feira, 28, um protocolo de intenções entre o ministério para a adoção da Unidade de Conservação Ambiental Javari-Buruti, no Amazonas, uma área de mais de 13 mil hectares.

De acordo com uma nota publicada pela empresa Coca-Cola Brasil, a ação faz parte do compromisso com a agenda de desenvolvimento sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), “Firmado com base na crença de que a sustentabilidade é um tema transversal a tudo o que fazemos”, informou o documento.

A adoção prevê investimento no valor de R$ 658.000 reais e deve ser destinado para a parte administrativa do local, obedecendo as regras do programa focado no aprimoramento, conservação do lugar e bens de consumo.

“O valor investido pela Coca-Coca Brasil corresponde a quatro vezes o orçamento anual do parque, o que deve proporcionar avanços na conservação”, diz Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente. “A empresa é a maior compradora de guaraná na Amazônia e mantém programas importantes de preservação ambiental na região”.

Até o momento, oito grandes empresas já aderiram ao programa ‘Adote um Parque’ (Reprodução/Agência Brasil)

Bom ou ruim?

Para o doutrando em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia da Ufam, Alefe Viana, ao mesmo tempo que pode ser uma boa iniciativa, ela pode ser um tanto quanto ruim. Isso porque falta clareza em alguns programas e a iniciativa tem sido vista como uma “maquiagem” ambiental, principalmente por conta do aumento do desmatamento nos últimos dois anos e enfraquecimento dos órgãos fiscalizadores. Além disso, um dos principais fatores que levam a desconfiança seria a transparência do programa.

“É um programa relativamente curto e tem algumas coisas que não estão bem definidas. Então, por exemplo, é bom pelo fato de a gente monetizar os serviços ambientais, obviamente isso é importante. A questão da bioeconomia, os serviços ambientais que, inclusive, estão muito em voga atualmente para tentar gerar um valor pela conservação e preservação da floresta. E não é algo novo, na verdade precisamos ver como vai ser a execução desse programa, quem vai gerir esse recurso?”, avalia.

No que diz respeito às reservas de uso sustentável, ele também afirma que é preciso ficar claro alguns pontos como a participação dos comunitários dentro do funcionamento do programa. E ainda ressalta a parte importante de monitoramento de informações que precisam constar no relatório. “Essas empresas, em tese, teriam que emitir relatórios periódicos”, diz.

Ponderações

O atual presidente do Amazonas Cluster de Turismo, Ricardo Daniel Pedroso, considera que é sempre bom ver o lado positivo da ações como estas e que é preciso dar um crédito para corporações que se comprometem em proteger a natureza.

“Uma empresa global não entra em ações apenas pelo marketing, embora isso pese. O grupo Coca-Cola já tem investimentos no Amazonas, de parcerias na agricultura do guaraná até fábrica de concentrados. O que penso é que, apesar da máquina de fiscalização do governo esteja sendo desmontada e desrespeitada aos poucos, boiada passando, há de dar um crédito, não ao governo, mas para a empresa que se compromete em proteger”, considera o profissional.

Ele avalia que em áreas isoladas, de relevante interesse ecológico, a proteção e o isolamento garantem o ciclo da biodiversidade. Já em áreas onde existe a exploração do turismo, servem de grandes salas de aula, que se bem exploradas, a experiência nas excursões funciona como um multiplicador de preservação.

Ricardo também aponta alguns questionamentos relacionados ao assunto. “Para nós, que operamos ecoturismo, há sim uma grande preocupação de como vai ser essa privatização de algumas áreas dos parques nacionais. Em especial aqui para nós, Anavilhanas e o Jaú. A grande preocupação é de como a empresa que irá administrar esses Parques Nacionais vai agir. Qual será seu plano de negócio?”, indaga Ricardo.